sábado, 16 de março de 2002

Nos olhos alheios não arde!

Conta-se que na Inglaterra, no tempo do rei Ricardo Coração de Leão, lá pelas bandas da floresta de Sherwood, havia um homem que roubava dos mais abastados, para dar aos menos afortunados. Era o lendário Robin Hood, conhecido por todos. Sua atitude era louvada pelos pobres, mas abominada pelos ricos. Ele, certamente numa visão antecipada, inspirando no adágio de que, quem rouba de ladrão tem cem anos de perdão, julgava estar praticando o bem, mesmo roubando; e ainda hoje esta prática é freqüente entre nós, embora muitas vezes praticada pela metade: apenas no roubar, mas não no doar.
Recentemente, o governo de Minas criou uma lei que visa tirar recursos dos municípios ricos para dar aos mais pobres, e devido à semelhança, foi denominada lei Robin Hood. Os administradores das grandes cidades, como Uberlândia, reclamam da injustiça desta lei e assim, o secretário municipal de finanças a denominou de: “a famigerada lei Robin Hood”. Realmente, este não é o caminho. Não podemos enriquecer uns, empobrecendo outros, mas sim, elaborando leis que venham disciplinar e orientar corretamente a sociedade, proporcionando a todos realizar o próprio desenvolvimento. Entretanto, o nosso atual prefeito, sem condições para receber o pagamento das contas de água dos pobres e infelizes, está propondo a isenção destas taxas para as famílias carentes, mas para tal, pede um aumento compensador, nas tarifas dos que podem pagar, de modo semelhante a Robin Hood, ao invés de oferecer a elas, condições para que possam se desenvolver e levar uma vida independente, isto é deveras cômodo e interessante. Muito interessante. Interessantíssimo. Porque pimenta nos olhos alheios não arde!

sábado, 20 de outubro de 2001

Uma mensagem aos motoristas

São comuns as pessoas discutirem sobre futebol, política, e outros assuntos, com tanta veemência e paixão que por vezes chegam ao estremo e até as vias de fato. Outros declaram com tanta ênfase que seus carros são os melhores, assumindo uma atitude mesquinha e antipática. Afinal, por que tudo isso? Afinal, são por ventura diretores dos clubes ou seus jogadores? São políticos ou seus parentes? Ou ainda foram os projetistas que construíram os carros ou que tenham apertado pelo menos um só de seus parafusos? Não. Com toda certeza, não. Por que então tudo isso? A resposta é simples: essas pessoas são fúteis ocas, internamente vazias que buscam uma compensação externa na esperança de preencher sua vacuidade interna.
O que está acontecendo neste início de milênio é estarrecedor e lamentável, hoje, o ter vale mais que o ser; o carro vale mais que o motorista. O desejo insaciável do ter é a causa primária de todos os problemas que assolam a humanidade. Esta inversão de valores, motivada e mesmo imposta pelo asfixiante sistema econômico que declara equivocadamente que as pessoas valem pelo que elas têm, deverá ser imediatamente revogada e será fácil, basta que cada um compreenda que o ser é bem mais importante que o ter. Então...
O motorista consciente é feliz, porque considera o pedestre. A preferência é sua, amigo pedestre, eu lhe espero, estou de carro, portanto sou mais rápido.
O motorista consciente é feliz, porque compreende seus colegas e não interrompe o trânsito quer rodando em baixa velocidade ou parando em fila dupla.
O motorista consciente é feliz, porque aguarda serenamente a sua vez, não insistindo ou buzinando nervosamente.
O motorista consciente é feliz, porque não grita e nem xinga o colega quando este erra, mas o cumprimenta e lhe oferece ajuda.
O motorista consciente é feliz, porque dirige em velocidade correta pois assim entende e não por medo de radares e multas.
O motorista consciente é feliz, porque é cuidadoso, tranqüilo, útil, prestativo... Enfim é um cidadão.
Oxalá nossas autoridades na área do trânsito, também fossem conscientes e procurassem orientar amorosamente os motoristas e não valer de seus descuidos e equívocos para lhes multar com valores elevados que embora legais, são injustas visto punir mais o pobre do que o rico e deixando perceber claramente que exploram delitos e vendem perdões.
Estamos terminando o primeiro ano do século XXI e iniciando um novo procedimento, que será certamente a característica fundamental deste Terceiro Milênio e a nossa redenção.
Oxalá, todos assim compreendesse...

domingo, 19 de agosto de 2001

Thomas Edison

Thomas Alva Edson foi um físico americano, inventor de inúmeros aparelhos elétricos, entre outros, o fonógrafo, precursor dos atuais CDs e a lâmpada de incandescência (1847 - 1931). Conta-se que em certo dia, exausto, depois de muito trabalhar em busca da sonhada lâmpada, seu assistente observou: desista Thomas, nós já fizemos mais de setecentas experiências que não deram certo, tudo em vão, portanto desista. Como? Desistir? Agora que estamos setecentos passos na frente? Agora que já conhecemos setecentos caminhos errados? Agora não! Jamais... Continuou e pouco tempo depois, acabou descobrindo a lâmpada elétrica tão desejada e que a todos nós ilumina. Este pequeno relato traz, contudo, muitas luzes para clarear os difíceis momentos que havemos de passar, iluminando os sinuosos e acidentados caminhos de nossa vida.
Entendemos primeiramente, que as grandes realizações não são fáceis e somente os persistentes alcançarão êxito. No mundo em que vivemos, os erros e os fracassos são constantes e inevitáveis; o importante porem, é saber interpretar as falhas e construir os acertos, como Thomas Edson que conseguiu inventar a lâmpada elétrica somente depois de ter errado mais de setecentas vezes. O erro é um sinal de alerta e não um tributo ao individuo, é um acidente e não propriamente um mal, e que não deve ser censurado, mas compreendido pois quando vencido, é o degrau para o sucesso.
Entretanto, o homem de hoje não vê desta maneira, e em sua avaliação, considera o erro como resultado negativo e somente este é contabilizado, mostrando equivocadamente, que neste processo, o vício é mais forte que a virtude, e quanta injustiça se comete. Devemos mudar o nosso procedimento e aprender avaliar as pessoas considerando os acertos e não as suas falhas. Este procedimento positivo constitui um estímulo ao crescimento de todos. Afirmo que se Thomas Edson fosse tão intransigente com o erro, hoje estaríamos às escuras. Assim esperamos e desejamos que um dia assim seja.

quarta-feira, 15 de agosto de 2001

A negligência e o excesso de zelo

Tudo indica que a autodefesa constitui a principal forma para atender ao instinto de conservação dos seres. Os vegetais buscam a luz inclinando-se em sua direção ou aumentando seu caule, como as árvores, tornando-se mais altas como se vê nas matas; outras se satisfazem com lugares menos iluminados. Nos animais, as formas de autodefesa são mais variadas, assim o leão e o tigre que são os mais fortes, confiam em suas presas e garras, portanto são tranqüilos. A corsa se defende pela velocidade, a raposa pela astúcia, e muitos insetos pelo mimetismo, assim a frágil borboleta adquire as tonalidades do ambiente, outras abrindo as asas coloridas, se apresentam como se fossem verdadeiros e horríveis predadores, livrando de ser devoradas. E o homem?
Este se defende das mais variadas formas. Devido sua inteligência, emprega armas, armadilhas, e outros recursos e dependendo do agressor, recorre aos meios de comunicação valendo-se da mentira, oferecendo vantagens, como no caso de políticos, que usam a demagogia, cujo princípio é a ambição, e não sabemos bem, se do eleitor ou do candidato, provavelmente de ambos. Uma coisa é certa: fora o homem menos ambicioso e seria menos enganado.
Dentre os maiores agressores do homem, está ele próprio e defender de si mesmo, é a tarefa mais difícil, uma vez que não pode contar com armas, surpresa, mentira, promessa, demagogia e muitos outros recursos que são de grande eficácia contra os demais, mas não contra si mesmo. Isto porque ele é agressor e vítima. È o ego contra a consciência.
Ignorar a agressão o deixa vítima; combate-la o incomoda, então concilia. O acordo se faz tomando uma medida aparentemente severa e supostamente eficaz, apenas para anestesiar a consciência que é a verdadeira vítima, mas sem punir o ego agressor. Esta prática tão sutil é freqüentemente empregada por muitas autoridades, que negligenciando suas obrigações, logo propõem uma medida excessiva, severa fugaz, mas impraticável, conhecida por excesso de zelo, suficiente apenas para anestesia-lo, somente para inglês ver, mas não para resolver. E a vida continua...

domingo, 29 de julho de 2001

Uma proposta alternativa

Acabamos de ingressar no terceiro milênio da era cristã, caracterizado mais pelo desenvolvimento técnico-cientifico do que pela fé religiosa, pois com a experiência retratada no cotidiano, vê-se quantas vezes o ódio tem sido mais forte do que o amor, e a vingança mais do que o perdão. A esperança de redenção do homem parece distanciar-se. Precisamos, urgentemente, abandonar os procedimentos antigos que se mostraram ineficazes, visto as freqüentes notícias sobre os crimes, rebeliões nos presídios, corrupção de políticos, furtos, estupros e outros, e buscar novos horizontes para renovar nossas esperanças.
Não somente o homem, mas muitas espécies de animais, também vivem em sociedade exigindo uma disciplina para tornar o ambiente propício e agradável, portanto necessitam de um líder, de um governo. Vivemos em uma democracia onde o poder emana do povo, assim as autoridades constituídas, são apenas funcionárias e serviçais do povo. A sociedade é a senhora e os governantes são seus empregados. Enquanto tais autoridades, não reconhecer esta condição, continuarão despóticas e autoritárias e não cumprirão suas obrigações e quem pagará e sofrerá, é sempre o povo como muito tem acontecido.
Governar é dirigir, orientar, dedicar, amar... Entretanto, o que recebemos são repreensões, castigos, punições, explorações, humilhações... Os exemplos além de abundantes são ainda mais horripilantes. Injustiça e mais injustiça se praticam em nome da justiça. Violência e mais violência se praticam dizendo combater a violência. Especificamente, tudo isso acontece com freqüência, na área do trânsito. Entendemos facilmente a necessidade de uma legislação para nortear e orientar os motoristas, mas discordamos totalmente do tratamento dispensado aos que erram. Estes em vez de ser tratados com cuidado e carinho, são, entretanto, agredidos, violentados e explorados com multas excessivas, que não corrigem em nada o infrator, visto que as multas não dão a eles as orientações de que necessitam, mas apenas enchem os cofres públicos para ser depois, marotamente esvaziados. Ora se um motorista cometeu certa infração, é porque a ocasião assim exigia, ou porque não conhecia bem o código e neste caso deveria ser reciclado e conscientizado com palestra educativa. Será que apenas multado ele aprenderia tudo isso? Além do que, a multa é injusta, porque pune mais o pobre do que o rico, mostrando ainda que o Estado explora delitos e vende perdões. Considere-se por outro lado, a grande impropriedade que existe, pois os serviços de radares foram terceirizados, estando deste modo, atribuindo a empresas particulares, a tarefa de orientar, ou melhor, dizendo, punir o povo, tarefa esta, que é intransferível e exclusiva do Estado. Não fora o lucro tentador e a grande ambição, tais empresas não se habilitariam.
Os milhares de motoristas que foram multados sentem-se violentados. Então as autoridades competentes, em lugar de multar, deveriam oferecer primeiro uma reciclagem acompanhada de palestra educativa para que o motorista se aprimore mais, conhecendo melhor as normas do trânsito, e depois, determine dentro de sua capacidade, para que repare o erro cometido, prestar um serviço na área social que é de maior proveito para a sociedade. Esse é o procedimento correto que deve ser adotado por nossos dirigentes, porque somente assim, as pessoas mudarão e o mundo ficará certamente melhor...

domingo, 20 de maio de 2001

Qual a função da universidade

Não há muita diferença entre o homem antigo com homem do terceiro milênio. Não obstante as modernas descobertas científicas, além da grande explosão demográfica, contudo, muitas indagações continuam sem respostas, pois desde a década de 50 quando iniciei minha carreira universitária, já se cogitava saber qual é a principal função da universidade e ainda hoje, se faz a mesma pergunta. Várias respostas e explicações são oferecidas, mas nenhuma nos satisfaz.
Dizem alguns professores que a principal função da universidade é formar profissionais. E para que? Se as empresas estão todas informatizadas e já trazem tudo normatizado e automatizado, uma vez que as industrias oferecem aparelhos e equipamentos altamente desenvolvidos e minuciosamente programados para executar operações complexas e que requerem apenas técnicos para operá-los. Até os organismos governamentais já estão normatizados e com normas sufocantes inibindo toda e qualquer iniciativa e criatividade do profissional, reduzindo-o a um simples e humilde técnico sem oportunidade para crescer e destacar. Há também de considerar o grande número de pessoas que ora trabalham em atividades bem diferentes das áreas que se formaram, sem levar em conta os muitos desempregados, que mesmo com os baixos salários impostos pelo asfixiante sistema econômico que hoje nos domina, explora, sacrifica e escraviza, não encontraram empregos. Tudo isso está incluído na expressão de que a universidade é um instrumento hegemônico do estado, acrescento eu: e também dos aproveitadores da sociedade. Então para que profissionais? Estas observações não constituem um protesto ou uma crítica, mas uma triste constatação, pois suas conseqüências já chegaram até a universidade, onde a descrença e o desânimo contaminam, alunos e professores. Embora a universidade possa formar profissional, contudo, esta não é a sua mais importante atividade, visto que muitas instituições também desempenham esta função como: o SENAI, SENAC e vários centros de formação profissional.
Outros declaram que a função principal da universidade é transmitir conhecimento. Pois bem, neste caso os verdadeiros agentes transmissores de conhecimento são os livros, mesmo porque os conhecimentos transmitidos pelos professores, além de poucos, tiveram origem neles e que nem todos são escritos por professores. Perto do final da segunda guerra, houve um grande desenvolvimento técnico-cientifico, destacando os estudos relativos ao átomo, que culminaram com a descoberta da bomba atômica e duas arrasadoras explosões, pondo um ponto final no conflito. Foi um espetáculo fantástico, magnífico em termos de ciência, pois o átomo estava dominado, mas o homem não, tanto que logo começou a guerra fria e as potências se armaram com um arsenal tão grande que era capaz de destruir quatro vezes o planeta e isso deixou a humanidade atônita, desesperada, estarrecida, reprovando, censurando, condenando, lastimando, maldizendo e erradamente insinuando que a ciência era perigosa e o conhecimento, em certas ocasiões, um grande mal, não percebendo que o erro foi cometido pelo homem e desde então, a universidade começou a negligenciar, iniciando sua desvalorização. Tempos atrás, foi instituída a merenda escolar para atender os milhares de alunos carentes. Assim, devido às dificuldades, muitos se matriculavam apenas para receber a sopa escolar. Semelhantemente, em virtude do desemprego, muitos recém formados e sem o devido preparo, se matriculavam nos poucos cursos de pós-graduação que havia, muitas vezes bem distantes de sua área de formação, isto é: em disciplina “nunca dantes navegada”, escolhida mais pelas possibilidades do que pela vocação, apenas para receber a bolsa de estudos e compensar o desemprego. A universidade, reconhecendo sua falha cometida com o curso de graduação e procurando sutilmente se desculpar e ao mesmo tempo se valorizar, passou a exigir o mestrado e atualmente, o doutorado e começou oferecer com intensidade tais cursos, principalmente por ser uma excelente fonte de recursos para ela e um ótimo complemento salarial para os professores, atribuindo-lhes uma hipervalorização, muitas vezes imerecida, mas capaz de mantê-la em evidencia, isto sim, a desvalorizou ainda mais. Sua negligencia e incapacidade, criaram um grave problema, pois agora, a maioria dos professores não quer lecionar para alunos do curso de graduação, já que não lhes rende mais status e nem dividendos extras. Este problema deverá ser resolvido rapidamente, através de uma reformulação de prioridades e sabemos de suas dificuldades, pois terão que ser feitos muitos acréscimos e várias abdicações, mas que são de extrema necessidade. Considere-se também, que hoje a lista de conhecimentos que dispõe a humanidade, cresceu assustadoramente e portanto o homem só é capaz de receber ou absorver uma pequena parte dela, não mais que um milionésimo por cento, e que pouco representa. Por tudo isso, o transmitir conhecimento não constitui o papel fundamental da universidade, posto que, o conhecimento em si não resolve, porque não redime.
Existem, entretanto aqueles que declaram que a principal função da universidade é gerar conhecimento. A experiência nos tem mostrado que os conhecimentos gerados pela universidade brasileira, além de poucos, são também de pouca valia, principalmente no contexto mundial, mesmo porque a imensa maioria dos nossos pesquisadores tem feito da pesquisa um simples meio de vida e não a realização de suas vocações, e mais, como o número de trabalhos publicado é a base do critério de avaliação do pesquisador, isso tem levado muitos deles a dividir sua pesquisa em várias partes, para aumentar o número de publicações; estas são as principais razões da baixa qualidade e do alto descrédito de nossas pesquisas. Por outro lado, muitas empresas procuram gerar seus próprios conhecimentos, assim as indústrias químicas da Du Pont gastaram em 1975 a importância de 360 milhões de dólares em pesquisas, utilizando cerca de 5000 pesquisadores. Os conhecimentos sobre a Astronáutica, Informática e ultimamente os relativos à leitura do código genético e muito outros, não tiveram origem na universidade. Concluímos que embora a universidade possa exercer esse papel, contudo não representa a sua principal função, uma vez que outras instituições também podem realizar esse trabalho e talvez até melhor.
Qual será então, a principal função da universidade?
Reclamam os professores dizendo que faltam verbas para pesquisas, que a universidade brasileira está sucateada, abandonada, esquecida, desvalorizada... Embora sendo verdade, entendemos claramente a atitude do governo, pois não conhecendo o seu grande valor, pouco a valoriza. Esta prática é tão natural que até os animais assim se comportam, é o caso do burro que desprezou uma barra de ouro em busca de um monte de feno. Não somente o governo tem desvalorizado a universidade, mas também os professores e talvez mais pela falta de verbo em suas aulas, do que o governo pela falta de verba, mesmo porque o verbo é o mais importante nesse trabalho de orientar corretamente o homem. Os próprios alunos e mesmo a sociedade têm desvalorizado e muito a universidade brasileira, como se retrata na vulgarização das festas de formatura, onde formandos e familiares esboçando um regozijo artificial, com escárnio, tocam cornetas, assoviam, gritam... Com alaridos, zombam e riem, numa atitude de autodefesa e procurando justificar, reduzem o valor de seus estudos, esperando diminuir as responsabilidades e anestesiar suas consciências para que cada um possa dizer: não esperem nada de mim, pois não me sinto preparado. Esta é a percepção triste daquele que teve a graça, de no passado, assistir a autenticas festas de formatura quando estas representavam verdadeiramente a liberdade e a redenção do profissional, chamado liberal e que hoje, não existe mais...
Ora, o que resta então à universidade ?
Cabe à universidade identificar sua verdadeira função, assumir sua posição e exercer seu verdadeiro mister, e para que tal aconteça, é necessário proceder a um estudo profundo e criterioso da sociedade, do homem e suas implicações.

sexta-feira, 27 de abril de 2001

A galinha dos ovos de ouro

Deste que o mundo é mundo, o homem busca realizar seus sonhos, satisfazer seus desejos e para consegui-los, não mede as conseqüências, não avalia as dificuldades e nem repara os erros; marcha resoluto em busca dos seus intentos na suposição de que os fins justificam os meios. Esta prática está tão generalizada que as pessoas, cegas pela ambição, nem percebem o mal que estão causando. Se este hábito se restringisse apenas ao povo, menos ruim, mas lamentavelmente já contaminou até as autoridades que nos governam. Eis um exemplo.
Entendemos que a principal função do governo é disciplinar o homem, com orientações próprias, no sentido de evitar a delinqüência, o desdize, a exploração, o crime, em resumo: a violência. Entretanto, estamos vendo passivamente, os nossos dirigentes negligenciando sua nobre missão, e valendo da autoridade, para sufocar e explorar o povo com a instalação de verdadeiras armadilhas e camufladas arapucas chamado radares que com frieza, sem talento para avaliar a situação, sabem apenas fotografar, delatar e depois multar os infratores declarando que procuram deste modo, diminuir a violência; violência não diminui violência, mas gera violência.
Estas autoridades estão enganadas em supor que as multas podem conduzir corretamente o homem, mas não conduz, pois aquele que age com receio de ser multado ou esperando uma recompensa, não faz conscientemente e sim interessadamente, portanto não é uma pessoa confiável, pois faltando a vigilância ou a recompensa, mudará certamente de conduta e por isso exigirá sempre, a presença de um guarda ou vigia que por sua vez, sendo homem, também poderá errar, e mais, quem vigiaria o vigia? E haja vigias...
Considere-se ainda, que a multa é injusta porque pune mais o pobre e seus familiares do que o rico, e devido ao seu alto valor, pode levar muitos à inadimplência, ao deslize, à corrupção e conseqüentemente à violência. Por beneficiar diretamente quem aplica, como nova forma de prover receita, torna-se difícil buscar o verdadeiro caminho, uma vez que ninguém mata a galinha dos ovos de ouro e quem padece como sempre, é o povo. Então, acreditar na eficácia da multa é pouca inteligência e muita esperteza. O único meio capaz de nortear corretamente o homem é pela consciência, portanto o infrator não deverá ser multado e sim, obrigado a fazer uma reciclagem acompanhada de palestra educativa para se corrigir, e reparar seu erro com prestação de serviços sociais determinado pelas autoridades. Oxalá um dia talvez, farão uma deliciosa canja com esta estranha galinha dos ovos de ouro...

terça-feira, 17 de abril de 2001

Laranjas e maçãs

O dia amanhecera lindo... Apenas uma pequenina nuvem branca manchava o azul do céu, refletindo a paz e a tranqüilidade, características das alturas e da imensidão celestial, contrapondo as guerras e os desesperos, próprios das baixezas terrenas. Embora do alto do céu, a terra pareça azul, na realidade é avermelhada, colorida pelo sangue diluído com lágrimas e suores derramados por milhares de infelizes que não encontraram um ombro amigo ou mesmo uma pedra onde repousar. Os problemas sociais que se avolumam em nossas cabeças, deixam o homem preocupado e aflito, em busca de soluções. Nem o grande desenvolvimento técnico-cientifico, marca fundamental deste terceiro milênio, será suficiente para diminui-los e hoje a humanidade ansiosa, procura desesperadamente um caminho.
Então, em casa, logo após o almoço, comentávamos sobre tais problemas que somente serão resolvidos, como dizem, quando houver a vontade política de nossos governantes.
Por que vontade política? Ora, simplesmente vontade. Pensem! E será que falta apenas vontade? Suponho que não, pois “com homens de boa vontade o inferno está cheio”.
Neste momento minha esposa, interrompendo a conversa, disse: você está surdo, eu lhe pedi maçã e você me deu uma laranja!
Ah! Sim. Tirei outra laranja do cesto que se achava à minha esquerda e lhe entreguei.
Ora, você está mesmo surdo, eu quero é maçã!
Pois bem, e dei-lhe outra laranja.
Como? Sou sua companheira de muitos anos e exijo uma explicação.
Pois sim, vou lhe explicar. Veja, não tenho maçãs, tenho apenas laranjas, como posso, portanto, lhe dar maçãs? Ninguém dá o que não tem.
Considere querida, que neste mundo de Deus, quantas pessoas mal têm laranjas podres ou mesmo azedas e você quer que elas lhe dêem maçãs? O que está faltando em nossos dias, não são de semeadores, mas sim, de sementes, aquilo que se há de semear. O que está faltando para resolver os problemas sociais, não é vontade, mas sim, idéias e que só surgirão com o pensar, mas lamentavelmente o homem de hoje não tem mais este valioso hábito, razão do acúmulo da violência que agora enfrentamos, portanto pense! Pense! Pense! Este é o caminho. Assim pensamos e assim havemos de entender...

domingo, 4 de fevereiro de 2001

Instrução e educação

Estamos iniciando o terceiro milênio da era cristã e não obstante falando a mesma língua, as interpretações têm sido confusas, vagas e ininteligíveis, portanto podemos afirmar que estamos vivendo uma nova Babel. Muitas palavras importantes estão sendo vulgarizadas, deturpadas, alteradas e por isso pouco representam, nada acrescentam, nada resolvem... A confusão mais deletéria que se faz é sobre a palavra educação. Embora todos reconheçam a sua grande importância, contudo o que pedem, reclamam e oferecem não passa de uma simples e modesta instrução, por isso nada resolve, nada soluciona e os problemas continuam. Para alcançar esta diferença basta entender que o homem é formado por três elementos: corpo, ego e consciência e o homem integral é aquele que seu corpo goza de boa saúde, tem o ego instruído e a consciência despertada, sendo, portanto, alegre e feliz. Precisamos, pois, distinguir claramente, educação de instrução, mostrando como são bem diferentes.
Em nosso dia-a-dia, encontramos várias informações com diversos graus de dificuldades para seu entendimento. Assim: o iodeto de potássio pode ser dosado por iodatometria usando clorofórmio como indicador, cujo produto final é o cloreto de iodo. A grande maioria não compreende claramente esta informação, somente os estudiosos da química, pois é necessário conhecimento básico, fundamental, exigindo vários pré-requisitos. Esta classe de informação, de natureza técnica, científica ou mesmo humanística pertence ao intelecto, ou seja, ao ego e constitui o objeto da instrução, que tem seu valor, porém não o suficiente para resolver os problemas sociais, mesmo porque, freqüentemente tem sido a causa de vários deles.
Outras informações como: entendemos hoje que, evitar a miséria e os crimes é mais importante do que praticar a caridade e a justiça, pois, justiça e caridade são apenas compensações. Esta é de fácil interpretação não exigindo pré-requisitos, sendo compreendida por todos, uma vez que já está impressa em nossa consciência, mas que se encontrava apenas encoberta ou mesmo adormecida pelo ego, e que neste instante, foi despertada. Considere o alcance deste pensamento e veja como redime. Esse despertar da consciência chama-se educar.
Educar é despertar a consciência adormecida pelo ego, através da meditação sobre pensamentos próprios, mister de educadores e não de técnicos ou profissionais, pois sua ação é na essência interna do homem e a consciência é o elemento que o conduz corretamente, sem equívoco, de maneira prazerosa e agradável, razão de sua eficácia, identificando e determinando aquilo que é certo e que devemos praticar, daquilo que é errado e que devemos evitar. Isto é ser ético.
A redenção do homem não vem da ciência, mas sim da consciência, portanto, eduque-se...

domingo, 14 de janeiro de 2001

Oh que saudades que tenho...

Eu me lembro, eu me lembro, era pequeno... a caderneta de poupança rendia 50% ao mês e a CPMF cobrava apenas, 0,25% sendo assim 200 vezes menor; os juros do cheque especial estavam próximos de 80%, portanto 1,6 vezes a poupança. Havia ainda naquele tempo, ofertas de empregos e as lojas estavam repletas de clientes embora com remarcações, mas os reajustes salariais compensavam razoavelmente bem; não havia mendicância, pois o desemprego era pequeno. De repente tudo mudou! De uma hora para outra, nossa moeda ficou ao par com o dólar. Seria real? Sim, era o Real. Mas como foi? Descobriram ouro em nosso subsolo? Aumentamos por ventura, o nosso parque industrial ou os nossos campos agrícolas? Não. E como se deu esse milagre?
Essa pergunta somente poderá ser respondida por um economista. Pois bem, sou economista, não por formação, mas por necessidade, como são quase todos os brasileiros e os economistas por necessidade sabem mais, então vejamos.
Hoje temos uma moeda praticamente estável, contudo os problemas aumentaram consideravelmente e por que? Porque agora a caderneta de poupança está rendendo apenas 0,6% ao mês (se isso pode ser chamado de rendimento) enquanto que a CPMF está em 0,3% e promete aumentar, correspondendo à sua metade; o cheque especial está próximo de 10% sendo mais de dezesseis vezes superior. Relacionando os valores verificamos que a CPMF aumentou em 10.000% (não me lembro de algo que teve um aumento semelhante) e o aumento do cheque especial fica acima de 1000%, e que no entender de um economista por necessidade, aí que está o caminho encontrado pelo atual governo para transferir o dinheiro do povo para os cofres públicos e banqueiros; sem dinheiro, não se compra, então não se produz, conseqüentemente, não tem empregos, mas sim violência e mais violência, é o que hoje abunda...
As atuais reportagens sobre as posses dos novos prefeitos mostram quantas prefeituras estão quebradas, se desfazendo, sucateadas; qual será a razão de tudo isso? O plano real, ou a corrupção? Provavelmente os dois, mesmo porque o Plano Real já é uma corrupção. Considerando, pois, que a história do homem é naturalmente evolutiva, mas por vezes também é cíclica e assim já em 1639, o padre Antônio Vieira, o maior orador sacro da língua portuguesa, disse em um dos seus sermões: “Muito deu em seu tempo Pernambuco; muito deu e dá hoje a Bahia, e nada se logra; porque o que se tira do Brasil, tira-se do Brasil; o Brasil o dá, Portugal (hoje, o FMI) o leva." Isto é exatamente o que está ocorrendo conosco, sem beneficio para o povo e sem nada luzir para o país, mas trazendo-nos somente incertezas e desilusões.
Toda essa tristeza e aflição me fazem lembrar do passado tranqüilo que tivemos, portanto... Oh que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha inflação querida que os anos não trazem mais...

domingo, 31 de dezembro de 2000

Beber água

Eu me lembro e com saudade de minha meninice, pois fui um menino alegre e ingênuo que gostava de brincar com os bezerros e outros animais da fazenda onde nasci. Passava horas olhando as nuvens procurando identificar nelas, figuras de animais ou mesmo de países conhecidos. A imensidão do céu despertava em mim o desejo de liberdade. Entretanto percebia que esta estava longe, pois pairava em mim, as determinações paternas de que isto ou aquilo só poderiam ser feitas pelos grandes; imaginava que ser menino era um impedimento aos meus desejos, mas como me livrar? Somente o tempo poderia me libertar, mas vai demorar muito... Então pensando, percebi que poderia ser grande se fizesse o que fazem os grandes.
Olhando, vi um cavaleiro solitário em uma estrada distante, lá na linha do horizonte e julguei que se cavalgasse sozinho seria grande, pois até então só o fazia ao lado de meu pai, foi quando me lembrei do burrinho de lida que ficava junto à porteira do curral. Resoluto apanhei o cabresto e colocando nele, de um salto o montei e saí cavalgando pela estrada afora. Logo chegamos ao espraiado, ponto em que o córrego corta a estrada e esparrama suas águas, bebedouro natural para os animais e parei. Bebe, bebe. Ora, por que não? Se não beber, não serei grande. Apeando, peguei em suas orelhas e puxava para baixo dizendo: bebe, bebe... Neste momento, meu pai vindo da invernada, suspendendo as rédeas pelo pulso e enrolando um cigarro de palha, ao ver-me disse: o que está fazendo meu filho? Quero fazer o burro beber água. E ele, meneando de leve a cabeça e com um sorriso respondeu-me: ora não se faz um burro beber água e afastou-se.
Confesso que nada entendi, percebi que era apenas um desista... Desiludido montei e voltado para casa abandonei a idéia; contudo aquela expressão ficou zoando em minha mente durante anos e anos sem nada entender, até o dia em que dei a minha primeira aula. Neste momento pude compreender com clareza, o significado daquela expressão, onde cada um faz somente o que quer e quando quiser.
Entretanto, hoje mais maduro e experiente, entendo que podemos fazer um burro beber água e não é muito difícil, pois basta dar a ele uma boa pedra de sal que logo, logo estará bebendo água... Portanto caros professores, quando forem dar aulas não levem copos d'água para seus alunos, mas sim, boas pedras de sal. O êxito desta prática depende da habilidade e arte de cada professor e o sal a que me refiro, corresponde à conscientização de seus alunos, sendo esta o ponto alto de uma aula e que constitui o grande mister do professor.
Assim pensamos e assim desejamos que seja, neste último dia do século e que amanhã ingressados no terceiro milênio, conquistaremos certamente, a nossa redenção...
Uberlândia, o último dia do século XX.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2000

Vocação de professor

Comentando certa vez, em uma aula com os alunos do curso de medicina, dizia de minha grande preocupação com o baixo aproveitamento escolar e que das várias razões, a principal é a pouca vocação de muitos estudantes. Na esperança de justificar a minha tese, perguntei a uma aluna o que a levou a escolher a carreira médica. Ela, depois de muito pensar, declarou: eu gosto de tratar de doentes. Esta resposta dita sem convicção, arrancou risos dos colegas. Estes sorrisos são provas de que tenho razão e todos afirmaram que sim, mas quando já me considerava vencedor e me dirigia para a mesa, foi surpreendido com a pergunta: e o senhor, por que resolveu ser professor? Confesso que esta observação me deixou embaraçado. Como responder? Procurando ganhar tempo e como que surpreso, disse-lhes: ainda não lhes contei? Não? Não acredito! Não pode ser! Com estas indagações e exclamações espaçadas, fui ganhando o tempo necessário para imaginar uma história capaz de explicar o motivo e logo me veio à mente uma e então, me colocando no meio do corredor, pude assim começar.
Olhem os meus sapatos. Não são sapatos, mas sim botinas de elástico e já desgastadas. Olhem a minha calça de linho. Não. Não é de linho, mas sim de brim e toda esfiapada, com sementes de amor seco, carrapichos e até esterco de curral, pois embora procurando despistar, jamais consigo encobrir a minha origem: nasci e me criei na fazenda.
Estava eu certo dia, repregando algumas tábuas soltas do curral quando se achava ali um (outro) burro. Em dado momento, ouvi um barulho estranho, era o burro que estava escoiceando a cerca. Procurando interpretar o gesto do animal, pensei: ah! Com certeza ele espera que seus coices possam abrir a porteira, mas é burro esse burro, pois a porteira e mais para a direita e logo voltei-me ao trabalho. Ouvi novamente o barulho e pude perceber que os seus pés ora passavam entre as tábuas e ali raspando, se machucavam. Preocupado, olhei ao redor e encontrei um pequeno pedaço de canzil e o atirei de leve para espantá-lo. Afastando, passou ao meu lado quando notei que seus pés estavam feridos. Embora trabalhando, minha mente preocupava com o procedimento do burro e assim pensava: a burrice agride, pois eu já me agastava com a atitude do burro; a ignorância fere, posto que, já sangrava o pé do burro e entre esses pensamentos, de repente me veio um estalo: hei de ser professor! Laguei o martelo e aqui estou.
Este foi o motivo que me trouxe ao magistério, certo ou errado, mas foi assim e ainda hoje percebo como valeu a pena e não me arrependo, pois fui imensamente gratificado, e no qual, me realizei plenamente.
Então, obrigado companheiro burro! Obrigado por ter despertado em mim esta magnífica vocação!

sábado, 11 de novembro de 2000

Palestra aos professores

Senhores.

O que estamos assistindo neste morrer de milênio, é simplesmente estarrecedor. O homem não suporta mais as pressões que ele mesmo criou. As notícias divulgadas pela imprensa mostram que estamos atravessando um mar de violências criadas por um dilúvio de confusões repetindo com horrores uma nova Babel. Precisamos urgentemente buscar as soluções, porém a grande dificuldade consiste em renunciar as trilhas antigas do nosso passado para encontrar o verdadeiro caminho, pois devemos volver o nosso pensamento para o futuro alvissareiro do terceiro milênio que está preste a raiar.
Considerando que o pensamento é o agente primário de nossas ações. Entendemos então que o pensar corresponde ao primeiro passo desta arrancada para a grande corrida em busca de nossa redenção, entretanto como o homem de hoje não têm o hábito de pensar, suas ações são por isso desconexas e sem eficácia e busca justificar declarando que os novos caminhos não passam de uma verdadeira utopia.
Recente reportagem sobre o uso de drogas mostra o grande despreparo da sociedade para resolver este problema. Pais se justificam acusando os professores de não orientar seus alunos, enquanto que os professores se desculpam dizendo que os pais não educam seus filhos. Essas acusações mútuas refletem a incompetência destes na orientação dos nossos jovens sendo esta a origem da sociedade desorientada que somos.
No passado, quando a população mundial era pequena, havia espaço para todos. Contávamos também com uma tecnologia simples, portanto não tinha uma grande variedade de produtos de consumo que tanto atraem as pessoas por isso a vida era calma sem concorrências e o velho modo de pensar foi então suficiente para resolver os poucos problemas da sociedade; hoje, porém, a população mundial explodiu a casa dos seis bilhões de habitantes reduzindo deste modo o espaço vital de cada um e assim nas grandes cidades, as pessoas se acotovelam nervosamente a ponto de explodirem.
A ciência e a tecnologia desenvolveram assustadoramente. Descobrimos os segredos do átomo, já fomos à Lua e dela regressamos, inventamos a luz elétrica, desvendamos o código genético, entramos na era da informática e outras descobertas mais, entretanto, na área do pensamento humano estamos como antes e esta é a razão da vertiginosa escalada da violência. Os conceitos vagos vindos do passado, não são suficientes para resolver os problemas do presente, pois é necessário estabelecer com precisão os significados das palavras e conseqüentemente das idéias. Não basta a sensação, é necessária a exatidão. Para explicar esta exigência, é bom entender, que jamais alguém pode executar bem uma tarefa, sem o conhecimento pleno do assunto.
Um dos exemplos mais importante e de fácil compreensão é sobre o sentido da palavra ofensa. Constantemente estamos ouvindo e dizendo que ofendemos e que fomos ofendidos, mas não somos capazes de conceituar com precisão o que seja ofensa, temos apenas a sensação de algo ruim, contrário ao elogio. Porém, conhecendo com precisão seu conceito, mudaremos certamente o nosso modo agir. Para esclarecer, respondam mentalmente: quem comete o maior equívoco, o ofensor ou o ofendido? Para responder com certeza esta pergunta, é necessário conhecer com exatidão o significado de ofensa. Qual será a resposta? Por que? Outra palavra freqüentemente usada e até mesmo recomendada como sendo o único caminho para solucionar os conflitos, é o amor, ou mesmo o amar. Mas o que é amar? O que é amor? Ora, se estamos com dificuldades para definir ou conceituar o que é amar, que dirá então da dificuldade de amar? Qual será ainda a qualidade do nosso amor? Na área escolar encontramos muitos outros exemplos, tais como: estudar, conhecer, saber, aprender e principalmente uma palavra usada por todos, sem um mínimo cuidado, dita por qualquer um e ainda com a presunção de ser um grande administrador, ou comentarista, ou diretor, ou professor, ou pai, ou um outro qualquer, refiro-me à palavra educação.
É triste, muito triste ouvir as pessoas dizendo coisas que nem sequer têm conhecimento, ainda que seja mesmo um conhecimento superficial, pré cientifico, pois os cotovelos não foram feitos para falar, mas sim, para doer. Este é o comportamento atual das pessoas mesmo das que têm o mister de nos governar. Por isso nada luz, nada resolve, porque para propor uma solução é necessário o conhecimento pleno do assunto. Considerando a violência, a corrupção, o uso de drogas e outros, antes devemos conceituar, determinar as causas e por último propor as soluções. Então: que é violência? Qual a origem da corrupção? Por que muitos usam drogas? Procedendo de modo semelhante, entendemos que o verdadeiro e único caminho para combater os males que nos afligem é a educação.
Educar é eduzir, isto é extrair o que de bom há no homem pelo próprio homem através de meditação sobre princípios educacionais trazidos por educadores e não técnicos ou profissionais, pois sua ação é na essência interna do homem: a consciência. Entretanto, lamentavelmente muitas pessoas não compreendendo o que seja a consciência erradamente não acreditam e inclusive confundem educação com instrução.
Concluindo: a consciência é o único agente eficaz que nos conduz corretamente sem a necessidade de guarda ou vigia, pois não seremos capazes de transgredir e não podemos dizer reeducar, posto que se foi educado não comete delitos, se não foi, não se reeduca. O homem consciente não tem medo, receio e temor, não é covarde, mas sim feliz.
Assim chegamos á conclusão de que a educação é o único e verdadeiro caminho para solucionar os problemas que afligem a humanidade. Mostrarei agora um exemplo vivo, experimentado por todos nós, respondendo a pergunta inicialmente formulada. Comecemos então pelo conceito: Ofensa é uma agressão ao ego alheio e por isso nos aborrece; elogio é urna carícia, portanto nos agrada. Ora, então para ser menos ofendido, basta ser menos egoísta, pois reduzindo ego, reduz conseqüentemente os aborrecimentos e logo quem comete o maior equívoco é o ofendido. Felizmente é deste modo, pois o nosso bem estar há de estar em nossas mãos e não nas alheias. Seguindo esse raciocínio, concluímos facilmente, que se Deus não é egoísta, jamais poderá ser ofendido e mudamos assim, todo o nosso modo de pensar, apenas por ter conceituado claramente a palavra ofensa. O grande problema do homem não consiste em resolver o dilema: perdoar ou vingar, mas sim, em não se ofender.
Que essa mudança de milênio seja o prenúncio de mudanças em nosso comportamento.

sábado, 19 de agosto de 2000

Foi um sonho

Estamos terminando o século vinte. Não obstante às grandes descobertas científicas, somadas à imensa explosão demográfica, ainda conservamos, entretanto, as tradições religiosas, vindas desde a nossa mais tenra idade. Na esperança de receber a proteção divina, aprendemos homenagear a Deus, atribuindo-Lhe várias qualidades e cada um, segundo suas idéias, declara seus atributos: Deus é bom, misericordioso, justíssimo, fiel, poderosíssimo e muito mais...
Ouvi certa vez, um pregador explicar os diversos atributos divinos, procurando provar com fatos que Deus é poderoso, bondoso, misericordioso e muito, muito mais... Todos ouvíamos atentamente esta pregação de mãos postas, de cabeças baixas e humildemente reconhecíamos a insignificância do homem perante Deus. A grandeza divina era terrivelmente ouvida pelos maus, mas trazia grandes esperanças de redenção para os bons e este é o entendimento que temos de Deus. O pregador deixou o recinto satisfeito por nos ter ensinado e nós com humildade, nos recolhemos para a grande meditação.
Então, naquela noite, pela madrugada, tive um sonho que me levou aos tempos passados quando eu morava na fazenda onde nasci.
“Estava eu cavalgando pelo pasto e me dirigia para a sombra de uma bela e frondosa árvore de batalha na esperança de me proteger do sol causticante. Ao aproximar-me percebi a presença de várias vacas que ali se achavam deitadas à sombra fresca da árvore. De repente ouvi um som esquisito. Espantado, percebi que eram as vacas conversando e atônito, pus-me a ouvi-las.
Então uma delas dizia: O nosso amo é extremamente bom, pois foi ele quem nos deu esta pastagem tão deliciosa.
Outra, com humildade, afirmava que o seu senhor é um grande ruminante; já a seguinte, garantia que o seu patrão é um verdadeiro quadrúpede e um autêntico irracional.
A próxima assegurava que a cauda do seu dono é imensa, cujos cabelos longos e cacheados reluzem aos raios solares.
Por fim, a última declarava que o seu senhor tem os chifres não somente grandes, mas ainda, harmoniosamente enrolados... Neste momento não me contive e empunhando o chicote dei-lhes boas chicotadas fazendo todas correrem em disparada pela ladeira abaixo. Voltei para casa aborrecido com o que elas pensavam de mim, pois eu sou humano e não um vacum.”
Assustado, então acordei. Analisando o sonho, percebi como as vacas estavam enganadas a meu respeito; embora todas parecessem humildes e satisfeitas esperando que estas declarações me agradassem, contudo me aborreci, pois eu sou um ser humano e não uma vaca ou mesmo uma super vaca.
Os pensamentos vagavam pela minha mente, quando me lembrei de que naquela mesma noite eu ouvia compungido o pregador dizendo coisas semelhantes com relação a Deus. Assim também, queremos nós atribuir a Deus, as nossas qualidades, imaginando que Deus é semelhante a um super homem, na mais autêntica heresia. A origem deste equívoco é primária, pois pretendemos infantilmente, colocar em nossa cabeça finita, um Deus infinito, como propõem os teólogos, pois embora, etimologicamente a palavra teologia seja viável, na prática é impossível, posto que é impossível, humanamente impossível, imaginar ou conhecer Deus.
Tudo isso foi um sonho, mas que constitui a mais pura realidade.

domingo, 23 de julho de 2000

A porta do céu é ampla, larga e espaçosa

O agente primário dos atos humanos é o pensamento, que após analisado pela luz do conhecimento, chega-se à conclusão do que deve ser realizado e então depois de convicto, toma-se a decisão, cujo êxito depende ainda do modus faciendi. Desde criança que assim procedemos e não medimos esforços, não avaliamos as dificuldades e nem contamos os aborrecimentos. Marchamos resolutos em busca do almejado. Os exemplos desta conduta são vários.
No passado, quando adolescentes, entendíamos que era sumamente importante saber andar de bicicleta. O aprendizado foi longo, sem professor. Tivemos que aprender sozinhos e com muitas dificuldades, várias foram as quedas, muitas escoriações, mas em nenhuma ocasião ficamos aborrecidos, pois estávamos como que anestesiados pela convicção de que era necessário, importante, maravilhoso saber andar de bicicleta. Então vencemos!
Outro exemplo, que lamentavelmente ocorre entre os jovens adolescentes, pelos seus despreparos, é o desejo de fumar que representa para eles uma auto-afirmação, algo muito importante para compensar a vacuidade interna, e assim convictos, começam a fumar, embora passando por todos os problemas, incômodos e dificuldades causados pelo fumo, como calafrios, tonteiras, sudoreses, enjôos e outros, sem contar as repreensões feitas pelos pais. Assim convictos, vencem a própria natureza e se tornam dependentes do fumo. Com tudo e com tristeza, verificamos que depois de adultos, não têm a convicção para abandonar o vício, embora seja muitas vezes mais fácil deixar de fumar do que aprender, uma vez que deixar, significa voltar ao natural. Assim se comportam as pessoas e assim mostramos resumidamente a força da convicção.
Compreendendo então, o seu grande valor, concluímos que a porta do céu é ampla, larga e espaçosa, até mesmo fácil e agradável e não, estreita, apertada, difícil, sacrificial, como dizem, pois o que faz a porta do céu parecer estreita não é senão, a larga ignorância que furta a convicção das pessoas, posto que, esta porta consiste no cumprimento espontâneo, livre, radiante, prazeroso e alegre das obrigações, nascidas da consciência, que constitui a nossa felicidade correspondendo ao nosso verdadeiro céu. Assim também concluímos, que podemos então, comer o pão com um sorriso nos lábios e não com o suor do rosto, como se afirmou no passado.
Uberlândia, 23 de julho de 2000.

sexta-feira, 30 de junho de 2000

As sementes transgênicas do terceiro milênio

A empírica e primitiva agricultura do passado resumia em limpar grosseiramente o solo e jogar a esmo algumas sementes e assim se fez durante muitos e muitos séculos. Na idade média, a agricultura desenvolveu um pouco mais, pois já se escolhiam as áreas para serem os campos agrícolas. Com o crescimento populacional, houve a necessidade de aprimorar os métodos aplicados na agricultura e para obter maior produção, verificou a importância de empregar terras férteis, principalmente as das margens dos rios e córregos. Mas estas eram também propícias para o desenvolvimento de plantas invasoras, conhecidas antigamente por joio e hoje por pragas, exigindo um trabalho a mais, que era o de capinar. Com o uso intensivo, estas terras foram enfraquecendo, diminuindo a produção e exigindo a adição de corretivos e adubos.
As modificações profundas, que sofreram essas áreas, alteraram consideravelmente o equilíbrio ecológico surgindo diversos agressores, tais como insetos, lagartas, várias doenças e a presença de plantas invasoras, todas de difícil combate. A solução foi empregar inseticidas e herbicidas, conhecidos por agrotóxicos, tão prejudiciais, comprometendo cada vez mais, o sistema ecológico. Durante este período, o homem procurou apenas melhorar as condições ambientais, sem se preocupar com a qualidade das sementes.
Atualmente com o desenvolvimento da genética, já se preparam sementes cujas plantas são mais resistentes às pragas e mais produtivas, de modo a baixar o custo operacional. Hoje, temos as sementes transgênicas, capazes de produzir tais plantas. Esta etapa é realmente a mais importante de todas posto que, atuando na própria semente, dá a ela as condições para vencer sozinha. Esta é resumidamente, a história da agricultura.
A história do homem é semelhante, pois no passado vivia apenas de frutas e um pouco da caça. Após séculos, iniciou seus primeiros passos na agricultura. Desde os primórdios, procura dominar o meio ambiente na suposição de que esse domínio representa o ponto alto de suas realizações. O domínio externo do homem foi verdadeiramente espetacular. Dominou os ares, dominou os mares, dominou a terra, dominou o átomo... Esqueceu apenas, de dominar a si mesmo!
O semeador do passado semeava sementes convencionais que nasciam e frutificavam apenas em terras férteis, mas não nas estradas, mas não entre os espinhos, mas não nos pedregulhos, porque eram sementes dependentes do meio ambiente, em um processo espoliador e desgastante, exigindo sempre, novas quantidades de fertilizantes.
As sementes transgênicas do homem do terceiro milênio haverão de nascer e frutificar, não somente nos corações bondosos, mas também, nos corações de pedra, nos corações de espinhos e ainda nos corações irrequietos das estradas em seus vai-e-vens, porque as sementes transgênicas da consciência, não dependem do meio ambiente, mas têm poder sobre ele, posto que elas possuem a capacidade de fertilizar o solo e abrandar os corações. O homem do terceiro milênio então, será forte, será brando, será alegre e principalmente educado, portanto feliz, porque haverá de nascer das sementes transgênicas de sua consciência.
Assim acreditamos e esperamos...

sexta-feira, 23 de junho de 2000

Educar para se libertar

Senhores.

A humanidade estará em breve, ingressando no terceiro milênio. A grandiosidade desta data é realmente inusitada. Esperamos que todos nós possamos assistir esta passagem, que marcará, não somente a mudança de milênio, mas principalmente, a profunda mudança no comportamento do homem, pois o que assistimos, nesse final, é simplesmente horripilante, triste, estarrecedor...
Percebemos, a necessidade urgente, de mudanças, uma vez que os problemas que se apresentam, são de profunda gravidade, colocando em risco, não apenas o homem, mas toda a natureza. A preocupação de todos nós é encontrar um caminho, que seja capaz de conduzir o homem a paz e a tranqüilidade, e este é o motivo de nossa reunião.
Não apenas nós, mas muitos outros, estão preocupados com a violência, e para resolver tais problemas, reunimos, estudamos e fazemos campanhas, tomando sempre uma providência qualquer. Hoje, esperamos que desta reunião surja alguma proposta importante. Serão abordadas questões fundamentais e procuraremos identificar alguns obstáculos. Precisamos, entretanto de muita paciência, carinho e amor para orientar o nosso povo. Compreender que nos falta orientação, pois ninguém dá o que não tem, esta é a razão, e hoje temos uma sociedade desorientada, procurando, ardentemente encontrar o caminho. Desse desejo, nasce a idéia de ser práticos, aguardando resultados imediatos e por isso estamos sendo iludidos, uma vez que os resultados não são assim, tão imediatos. (1)
O governo federal lançou nesta semana, um pacote de medidas para acabar com a violência. Os pontos principais, noticiados pela imprensa, correspondem ao aumento do contingente militar, revisão das penas e alguns outros. Pois bem. Pergunto aos presentes. Considerando que o crime é praticado pelos homens e que a polícia é composta de homens, surge a dúvida. Será que pelo simples fato de usar farda, torna-se incólumes? Se assim for, será fácil: basta colocar farda no povo. Por outro lado, imagina-se que a solução proposta consiste em combater a violência com outra maior. Estamos no caminho correto?
Comentaristas de telejornais defendem com veemência o aumento das penas, declarando a necessidade de aumentar a punição. Será que a punição traz a eficácia para combater a violência? Ensina-se que a maior punição é o inferno, mas logo declaram que o homem continua pecando, mostrando que nem mesmo esta pena tem eficácia no combate ao pecado. Essas medidas, se implantadas efetivamente, trarão grandes prejuízos para a sociedade. Um deles corresponde ao sofrimento imposto aos réus, cuja idéia principal é vingar e não corrigir. Um outro, provavelmente maior, que pela esperança da eficácia, não buscam a verdadeira solução, perpetuando deste modo, o problema, e até quando?(2)
Percebe-se pelas medidas adotadas, que o assunto sobre violência, nem foi devidamente estudado, fizeram apenas, uma análise superficial. Lamentável... (3)
A maioria das pessoas, não acredita na força da consciência. Declaram que muitas delas, pelos crimes que cometem, não têm consciência. Entretanto, isto não é verdade, pois a consciência é o agente mais eficaz na mudança de conduta do homem. Esta verdade pode ser demonstrada facilmente.
Existe uma recomendação que está escrita no grande livro sagrado, a Bíblia: “não julgueis para não serdes julgados”, que é do conhecimento de todos, e da qual ninguém duvida, todos acreditam. Contudo, algumas pessoas, entendem que esta recomendação insinua uma ligeira negociação onde, eu não julgo e você também não me julga, e tudo bem, e ainda, induz ao medo, temor, receio e até a covardia, e então não é educativa. E como deveria ser? Natural. Não julgar, simplesmente por não ser da nossa competência. Isto sim é educativo.
Quem discorda desta interpretação? Compreenderam a minha idéia? Fácil, não? Por que compreenderam com facilidade a minha idéia? Simples, por que essa idéia não é minha, mas sim, nossa. Ela já estava impressa na consciência de todos, mas, encoberta por uma camada de ego, estava adormecida pelo ego. O que fiz, não foi senão, limpar esta consciência, não foi se não, acordar esta consciência que dormia, embalada pelo ego. Isto sim é educar.
O homem é composto por três elementos: corpo, ego e consciência. Quando prevalece a consciência, o homem se diz educado, quando prevalece o ego, se diz egoísta. O homem integral é aquele que seu corpo goza de boa saúde, tem o ego instruído e a consciência despertada. Este homem é feliz...
A maior das violências que se tem hoje em dia, é o uso de drogas. Quantos jovens não morreram de overdoses? Quantas pessoas não foram vítimas fatais de drogados? Nota-se assim que o uso de drogas corresponde a uma das maiores formas de violência. O difícil é saber por que os jovens usam drogas. Será simplesmente a curiosidade? Por que não têm eles a curiosidade de beber leite de égua? Porque existe uma curiosidade dirigida, e o direcionamento desta curiosidade é então a verdadeira razão do uso de drogas.
O usuário de droga é um infeliz que não teve tempo de se preparar, portanto busca na droga a justificativa de seu despreparo. Por que não devo usar drogas? As justificativas que trazem para esta pergunta, não são verdadeiras, pois dizer que elas são prejudiciais à saúde, mas, não oferecer ao povo condições de trabalho, alimentação, assistência médica, não passa de uma justificativa hipócrita, desconexa, sem credibilidade e sem efeito.
Dizer que os traficantes são inescrupulosos e que em busca de lucros, expõe em risco a saúde dos jovens, enquanto nossas autoridades, estão sempre em guerra, procurando recolher em seus municípios o ICMS da Souza Cruz? Pois bem, o que é ICMS, se não, lucro. O que é a Souza Cruz, se não, droga? Pois qual a diferença destas autoridades com os traficantes? Pensem. Pensem mais. Sim, uma só. Estas são legalizadas, no mais tudo igual.
Precisamos, pois, esclarecer corretamente aos jovens, as verdadeiras razões porque não devem usar drogas. (4,5)
A sociedade infelizmente está passando por graves momentos. O desentendimento entre as pessoas, lamentavelmente é muito grande. Parece até, que estamos vivendo uma nova Babel. A comunicação entre os homens é obscura, as pessoas falam sem um entendimento correto das palavras. Existe apenas uma sensação, mas não uma clareza, uma certeza. Os cotovelos não foram feitos para falar, mas sim, para doer!
Muitos fatos desagradáveis têm ocorrido exatamente por desconhecerem o verdadeiro significado das palavras. Um exemplo claro, e que aconteceu há poucos dias, envolvendo pessoas importantes com o governador de São Paulo, Mário Covas e professores da rede estadual, que culminou com agressão física ao governador e a prisão de alguns professores. As razões declaradas pelo governador mostram com clareza, um grande equívoco. Disse ele: "Eu como representante do povo, tenho o direito de entrar no prédio da Secretaria de Educação, pela porta da frente”.
Realmente, o senhor governador tem o direito. Mas, o que significa esse direito? A palavra direito tem vários significados, como oposto ao esquerdo, nome de um curso superior, permissão e ainda o uso de condições vitais de um ser, pois, pressupõe-se a uma obrigação, portanto não é gratuito.
O direito evocado pelo senhor Governador, não passa, senão, de uma simples permissão a qual lhe é facultativa, enquanto que a prudência que o cargo lhe exige, é uma obrigação, portanto o senhor governador cometeu um terrível engano e que resultou na prisão de alguns professores. Isto é lamentável, pois há uma hierarquia entre o dever e o direito.(6)
Muitas outras palavras que ouvimos e dizemos no nosso dia-a-dia, embora de conteúdos importantes, delas temos apenas sensações, mas nunca um conhecimento pleno por isso nada resolve, além de nos conduzir a grandes equívocos.
É comum as pessoas dizerem que foram ofendidas. O homem ofende a Deus? De quem é a culpa das ofensas? O que é ofensa? Parece que todos já responderam essas perguntas. Acertaram?
Quando alguém diz a um outro: meus parabéns, você está simpático e muito bem vestido; a resposta que você deu foi realmente maravilhosa, mais uma vez parabéns. As pessoas ficam alegres e satisfeitas porque receberam um elogio. Entretanto, se alguém diz: você errou. Não devia ter agido assim, pois agiu com extrema ignorância, nem parece que é gente. Então, elas se aborrecem, se zangam, dizem que foram ofendidas.
Pergunta-se: Que é elogio? Que é ofensa?
O elogio é uma carícia, enquanto que a ofensa é uma agressão, que se faz ao ego alheio. Não fora tão egoísta, e seria assim, menos ofendido. Compreendendo a origem da ofensa, podemos reduzir nossos aborrecimentos e para tal, basta diminuir o egoísmo.
Ora se a ofensa é uma agressão ao ego, e como Deus não é egoísta, jamais poderá ser ofendido. Uma vez compreendido, mudaremos então o nosso modo de pensar e conseqüentemente o nosso modo de agir. Do exposto, conclui-se que o maior responsável pelas ofensas é o ofendido sendo ainda, aquele que recebe os aborrecimentos, e não o ofensor.
Para realizar bem uma tarefa, é necessário o conhecimento pleno do assunto, caso contrário, os resultados não serão satisfatórios. É o que está ocorrendo atualmente em todas as nossas atividades, inclusive nas mais importantes. Assim, o padre ou o pastor, durante um casamento, declara várias vezes a necessidade de amor entre os casais, diz que o caminho para a solução dos problemas é o amar, e nós repetimos freqüentemente essas palavras. Mas, que é o amor? Que é amar? Já pensaram? Ora, se temos dificuldades em encontrar pensamentos e palavras para nos explicar o que seja o amor, o amar, que dirá então, da dificuldade para exercer? (7)
Outro caso se dá nas salas de aula, onde o professor declara a necessidade de estudar, os pais também pedem a seus filhos que estudem, porém, ninguém teve o cuidado de explica o que é estudar, e assim os alunos não podem estudar corretamente, pois o que é estudar? (8)
Pior ainda é a confusão que todos fazem sobre a palavra educação. Entendemos que a educação é o único e verdadeiro caminho para solucionar os problemas que nos assolam, mas o que se oferece aos jovens, não passa de uma modesta, simples e até mesmo rústica instrução. Há uma diferença consideravelmente grande entre educação e instrução. A educação, o despertar da consciência, é o verdadeiro tema que deveria ser abordado.(9, 10)
Assim, as atuais campanhas de prevenção às drogas e também os processos de recuperação de drogados, apresentam poucos resultados, posto que são baseados no ego, cujo principio, consiste em oferecer algo, que no entender dos dependentes, parece mais valioso. Deste modo, tanto a recuperação quanto a prevenção, tornam-se precárias no momento em que o indivíduo depara com a desilusão e por isso, se sucedem as recaídas não apenas entre os drogados, mas também entre os delinqüentes supostamente recuperados. O mecanismo desta prática baseia nas sutilezas do ego que consiste em eliminar os pequenos egos visíveis, em benefício dos grandes egos invisíveis, mas, no desejo de se obter cada vez mais vantagens, tornam-se então, insatisfeito, e por isso acontecem com freqüência, as recaídas. Como o verdadeiro desejo do homem é a felicidade e como esta tem origem no cumprimento de suas obrigações, torna-se natural e fácil orientar a pessoa neste sentido. Eis o segredo da sua eficácia.
A verdadeira recuperação e também a prevenção devem basear apenas na conscientização do indivíduo. Como este processo não oferece prêmios ou castigos, mas recomenda simplesmente o cumprimento alegre e prazeroso de suas obrigações, é então, eficaz e permanente.

Palestra proferida na Loja Maçônica Obreiros da Caridade em Uberlândia.

A força da consciência

O homem é composto por três elementos: corpo, ego e consciência. Quando prevalece a consciência, o homem se diz educado, quando prevalece o ego, se diz egoísta. O homem integral é aquele que seu corpo goza de boa saúde, tem o ego instruído e a consciência despertada. Este homem é feliz...
A maioria das pessoas, não acredita na força da consciência. Declara que muitas delas, pelos crimes que cometem, não têm consciência. Entretanto, isto não é verdade, pois a consciência é o agente mais eficaz na mudança de conduta do homem. Esta verdade pode ser facilmente demonstrada.
Existe uma recomendação que está escrita no grande livro sagrado, a Bíblia: "não julgueis para não serdes julgados", que é do conhecimento de todos, e da qual ninguém duvida, todos acreditam.
Contudo, algumas pessoas, entendem que esta recomendação insinua uma ligeira negociação onde, eu não lhe julgo e você também não me julga, e tudo bem. Ainda, induz ao medo, temor, receio e até a covardia, e então não é educativa. O correto será simplesmente: Não julgar, apenas por não ser da nossa competência. Isto sim é educativo.
Ninguém discorda desta interpretação. Todos compreenderam com facilidade a minha idéia, sim, simplesmente porque ela não é minha, mas nossa. Ela já estava impressa na consciência de todos, apenas encoberta por uma camada de ego, estava adormecida pelo ego. O que fiz, não foi senão, limpar esta consciência, não foi senão, acordar esta consciência que dormia embalada pelo ego. Isto sim é educar.
Educar é, pois, despertar a consciência adormecida pelo ego, mister de educadores e não de técnicos ou profissionais, pois sua ação é na essência interna do homem. A consciência é o elemento que nos orienta indicando o que devemos praticar, isso é ser ético.

domingo, 18 de junho de 2000

Utopia

Por diversas vezes, o homem, tem se mostrado paradoxal com atitudes incompreensíveis. Por um lado, procura realizar seus desejos, por outro, sente receio. Se for pesquisador, não pode ser conservador.
A humanidade, que é evolutiva, está, entretanto, presa ao temor. A razão do medo é a incerteza do futuro, e o homem, que é a sua unidade formadora, prefere conservar suas idéias, mesmo com resultados insatisfatórios, a arriscar uma nova teoria. Justifica seus receios, mostrando-se exigente e até mesmo com uma aparente sensatez, dizendo que as idéias avançadas são utópicas. Busca resultados imediatos, de curto prazo, mas nem repara que os métodos usados são antigos e ineficazes.
Quando Napoleão Bonaparte conquistou o Egito, maravilhado diante das obras arquitetônicas daquele antigo império, declarou: Do alto dessas pirâmides, 40 séculos vos contemplam.
Há mais de 4.000 anos, essas pirâmides foram erguidas para a contemplação da humanidade. Naquela época, a sociedade já possuía governo, os faraós e já havia corrupção; já havia polícia e já havia crime; já havia escola e já havia escravidão; já havia religião e já havia pecado; já havia família e já havia desamor... E tudo isso, é o que ainda temos.
Hoje, estamos vencendo 2.000 anos de cristianismo e ingressando no terceiro milênio.
A ciência e a tecnologia tiveram um avanço espetacular: já fomos à lua e dela regressamos, inventamos a luz elétrica, descobrimos os segredos do átomo e recentemente, desvendamos o código genético; a população humana explodiu a casa dos seis bilhões de habitantes, porém, lamentavelmente, na área do comportamento humano, estamos como antes: construindo pirâmides, na mais clara das utopias.
Para vencer este costume, e buscar urgentemente, respostas para nossas angústias, nossos males, nossas preocupações, nossos receios, é então necessário, ampliar nosso horizonte e buscar a verdadeira solução que começa abandonando o cotidiano e o convencional, e ainda esse sentimento de medo e receio que é o alimento dos covardes, aceitando as idéias inovadoras, próprias dos arautos, que são dirigidas principalmente, aos corajosos e destemidos.
Só assim, não seremos utópicos.

sábado, 13 de maio de 2000

Violência

A grande imprensa tem, freqüentemente noticiado a realização de muitos estudos e campanhas para combater a violência, entretanto, com mais freqüência ainda, noticia a sua vertiginosa propagação. Há uma incoerência, algo está errado.
Atualmente, a humanidade está vivendo um momento de grande confusão. As pessoas demonstram, com suas atitudes, que estão perdidas, sem rumo, sem leme, sem norte... Precisamos, portanto, buscar um caminho e que no entender de alguns, haverá de passar pelas trilhas do conhecimento. Esta é a chave. Para explicar, portanto, aquela incoerência, basta entender, que jamais alguém pode executar bem uma tarefa, sem o conhecimento pleno do assunto.
Ora, tornou-se comum as discussões sobre a violência, porém, sempre com uma abordagem superficial, mostrando apenas seus efeitos, portanto, sem a eficácia desejada. Necessitamos, pois, de aprofundar e proceder a um estudo completo, conceituando, classificando, identificando a origem e sugerindo a sua solução. Assim, a violência deve ser considerada como uma agressão ao patrimônio, material, corporal, intelectual ou moral, seja ele, próprio ou alheio e são de natureza, explícita e velada.
As violências explícitas são aquelas cujos efeitos são visíveis, tais como: espancamentos, assaltos, furtos, roubos, assassinatos, e outras e são na maioria, uma conseqüência das violências veladas e até facilmente, reprimidas pela polícia.
O uso de drogas é uma violência, porque agride, não somente o patrimônio próprio que é a saúde do usuário, mas também, porque agride o patrimônio ecológico, uma vez que o homem tem a obrigação de colaborar com a natureza, e esta colaboração não se faz estando ele drogado. Entende-se assim, que o uso de drogas é uma dupla violência, e uma pessoa de razoável alcance, compreende com facilidade, a gravidade desse ato. O usuário de drogas é um infeliz que não teve condições para se preparar, portanto, é um indivíduo oco, vazio e inseguro, e necessitando de uma auto-afirmação, procura nas drogas, a comprovação de que é uma pessoa ímpar, moderna, autêntica e capaz, mas é exatamente o contrário: vulgar, antiquado, falso e incapaz. Ele é o mais violento, já que se auto violenta, pode também violentar os outros e não devemos debitar nas drogas, o ônus de outros crimes, como se ouve freqüentemente, mesmo porque, o uso de drogas é uma conseqüência e não uma causa, e o usuário: vitima, e não réu.
Já, nas violências veladas, os resultados não são imediatos, mas, futuros e, portanto invisíveis. Seus exemplos são abundantes tais como: insinuações, propagandas enganosas, promessas vãs, crendices, modismos, falsas orientações, omissões, principalmente as dos nossos governantes e outras, cujo habitat é a ignorância. São na maioria, as mais danosas, não apenas, por ser difícil de combate-las ou reprimi-las, mas por ser um estimulo para as praticas de violências explicitas, como foram as rebeliões na FEBEM, invasões de terras, e muitas outras, pois em toda ação, existe uma reação contrária.
Ainda podemos considerar, como violência velada, certas leis criadas por um Congresso, cujos deputados e senadores estão subornados por propinas, cargos ou acordos sugeridos pelo Executivo, ou porque, muitos foram eleitos às custas de donativos oferecidos por banqueiros, empreiteiros, empresários e grupos financeiros, tornando-os comprometidos e reféns, e assim, tais leis são criadas para atender os interesses daqueles, e que certamente, não são os interesses do povo. A imprensa tem noticiado com bastante ênfase e clareza, a existência de tais grupos, bem como, os valores e os nomes dos candidatos que receberam esses donativos, que mais parecem investimentos.
Embora legais, as especulações financeiras, na maioria das vezes, são consideradas como violência, pois, as ambições dos especuladores são ilimitadas, não medindo conseqüências. Isto é o que fazem os mega investidores, insaciáveis, que não se satisfazem, nem com seus grandes lucros e tudo isso é feito às custas das lágrimas, das ilusões e do suor alheio. Suas fortunas são incalculáveis e inimagináveis. Jamais usarão da sua infinitésima parte. Será que esses excêntricos colecionadores de dólares, não percebem suas estultices? Será que não percebem os problemas que estão causando aos outros? Essa ambição excessiva e descontrolada, nascida do ego, é a causa primária de toda a violência, a qual será combatida, não pela força, mas, apenas pela Educação.
A grande dificuldade está na interpretação da palavra educação, que é freqüentemente confundida com instrução. Este equívoco, responsável pelos fracassos das tentativas de acabar com a violência, deve ser eliminado, pois educar é despertar a consciência adormecida pelo ego através da meditação sobre pensamentos educacionais, mister de educadores e não de profissionais ou técnicos, posto que, sua ação é na essência interna do homem. A consciência é o elemento que nos orienta, mostrando-nos o que é correto praticar. Isto é ser ético.
Este deverá ser o nosso procedimento... Neste dia da Redenção...

sexta-feira, 10 de setembro de 1999

Avaliação escolar

Avaliação é o ato de atribuir valores. A avaliação escolar é o método usado para medir o aprendizado e dar continuidade ao processo. Mas, o que devemos medir? O aproveitamento dos alunos? A eficiência dos professores? A eficácia dos métodos escolares?
Muitas instituições procuram avaliar os professores através das provas aplicadas aos alunos. Ora, se medir é comparar uma grandeza com a unidade correspondente, jamais poderemos avaliar a qualidade do professor através do aproveitamento escolar do aluno, sem considerar ainda, que o aluno possa ser um autodidata ou um preguiçoso, e então, nem mesmo os recursos estatísticos ajustariam os casos.
Uma prova deve ser elaborada com critérios, porque questões mal formuladas, fatalmente levam a falsos resultados. Suas questões devem ser direcionadas, no sentido de perguntar “por que é...” e não “o que é...”, este é o segredo.
Considerando a evolução atual do estudo, é preferível avaliar a potencialidade do aluno, e não propriamente, o conteúdo programático, pois este é facilmente encontrado nos livros. Esse sistema não aceita decorar, estudar de véspera ou colar, e não está na dependência da memória, mas sim, do raciocínio, da inteligência e da habilidade do aluno, que são, muitas vezes, superiores ao conteúdo pois, o valor do profissional corresponde à capacidade de resolver problemas e não em reter de memória os conhecimentos. Este modo de avaliar não exige uma data previamente marcada, vez que não se prepara de véspera, raciocínio, inteligência ou habilidade, podendo, portanto ser realizada a qualquer momento e mais, o aluno não tem como colar.

Vocação e motivação, determinar o perfil do profissional, mercado de trabalho

A complexidade da vida humana é o resultado da desigualdade entre as pessoas. Essa desigualdade tão criticada por muitos é, entretanto, a característica mais importante do homem, sendo o agente responsável pela sua vida na sociedade, onde cada um concorre com o seu talento para satisfazer o todo. Este pensamento baseado na desigualdade humana leva-nos a crer que todos têm, contudo, o mesmo valor, posto que, somos complementares, e assim, é dever colaborar, não somente com o homem, mas com toda a Natureza, de forma efetiva, sem egoísmo. Ao compreender e aceitar esta ordem, transformamos o dever em querer, de modo a ser prazeroso servir.
Nas escolas, como nas universidades, devemos aceitar essa desigualdade e oferecer aos alunos condições para que cada um desenvolva na plenitude, o seu talento. Lamentavelmente, muitos dos dirigentes universitários, em atitudes mal pensadas, afirmam a necessidade de se “determinar o perfil do profissional que se quer formar”, na presunção de que esse planejamento seja fruto da inteligência, não hesitam em implantá-lo.
Além de violar o alvedrio de cada um, esta idéia traiçoeira engana os próprios propositores e adeptos. Pois, considerando que a duração, dos cursos universitários, é de quatro a seis anos aproximadamente, ocorre que devido às profundas e rápidas mudanças na sociedade, o perfil do futuro profissional, pode vir a ser diferente, na ocasião das necessidades sociais. Ao determinar o perfil do profissional, estamos subtraindo-lhe outras oportunidades, deixando-o então, refém, cativo, submisso e escravo da ambição alheia.
A preocupação de estudar o “mercado de trabalho”, no intuito de oferecer um programa direcionado, é tão prejudicial e impróprio como o primeiro e nada disso se faz necessário, pois basta oferecer aos jovens alunos, orientação plena e condições para que cada um desenvolva o próprio talento, atendendo, deste modo, os apelos de sua vocação. Essa atitude, além de solucionar os problemas, não escraviza, mas sim, liberta e redime.
A vocação, este chamamento interno, esta inclinação, se realiza com o desenvolvimento do talento, tornando-o então, o elemento preponderante do bom desempenho escolar, proporcionando a auto-realização da pessoa, enquanto que a motivação, que é a criação de motivos, não tem a mesma eficácia, uma vez que é formada por agentes externos e assim, quando alguém reclama motivação, é indício certo da falta de vocação.

Objetivo

Nas escolas é comum usar amiúde a palavra “Objetivo”, mas a generalização desse termo leva a interpretações equivocadas, causando conseqüentemente, grandes prejuízos, como exemplos: os objetivos da disciplina, que vamos estudar são:...; Os objetivos devem ser definidos usando verbos no infinitivo, tais como: conceituar, distinguir, definir, classificar e outros. Na verdade, o emprego desta palavra deve ser cuidadoso, posto que, quando definido, irá conseqüentemente, determinar a conduta do indivíduo. Assim, pergunta-se a um aluno do curso de Veterinária.
- Qual é o seu objetivo?
Se não todos, a maioria responde:
- Formar em Veterinária.
A experiência do dia-a-dia mostra que, se o aluno decorar as lições, estudar de véspera, ou mesmo, colar na provas, formará até mesmo antes, e então não hesitará em recorrer a essas práticas, posto que seu objetivo, já declarado, é mesmo, formar em Veterinária. Mas, formar em Veterinária será realmente o objetivo deste aluno? O verdadeiro objetivo deve ser claro em si, não comportando sequer dúvida ou indagações, visto não ter, nem por que, e nem para que. Assim, para verificar se o objetivo proposto é realmente verdadeiro, basta perguntar:
- Para que formar em Veterinária?
Uma das respostas mais prováveis seria:
- Para tratar dos animais domésticos.
Ora, então tratar dos animais domésticos, vindo após a formatura seria o objetivo. Mas, continuando...
- E tratar de animais domésticos, para que?
- Para produzir alimentos de origem animal: carne, leite, ovos e derivados.
- E para que produzir alimentos?
- Para alimentar o homem.
- E para que?
Após uma série de para quês, chegamos a uma resposta clara, que não aceita mais indagações:
-Para ser feliz.
Assim, este é o único e verdadeiro objetivo. As respostas anteriores são meras etapas ou caminhos. Então, aceito que ser feliz é o verdadeiro objetivo, retornando ao exemplo, perguntamos ao estudante de Veterinária:
- Decorar lições, estudar de véspera ou mesmo colar em provas, o leva à felicidade?
E ele, entendendo, logo dirá:
- Esse caminho não me conduz à felicidade.
E assim conclui que não se pode ter tal comportamento, e os professores não mais precisarão fiscalizar os alunos durante as provas. A simples interpretação correta da palavra objetivo, é então suficiente para mudar a conduta do aluno em seus estudos, na realização de provas, orienta-lo nas futuras práticas profissionais e no convívio social, fazendo-o abraçar alegremente as obrigações ditadas pela sua consciência, que constitui o verdadeiro caminho para a felicidade...

Ensinar a estudar

Na área escolar é freqüente o uso da expressão: ensinar a estudar. Supõe-se que isto seja o verdadeiro mister do professor, mas não é bem assim, uma vez que o aproveitamento escolar não é igual entre os alunos de uma mesma classe, embora o professor seja o mesmo.
O Padre Antônio Vieira, o maior orador sacro da Língua Portuguesa, no século XVII, no Sermão do Espírito Santo, pregado na cidade de São Luiz do Maranhão, assim escreveu: “O mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos. Diz para todos, porque todos ouvem; mas não ensina a todos porque uns aprendem, outros não. E qual a razão dessa diversidade, se o mestre é o mesmo e a doutrina a mesma? Porque, para aprender, não basta só ouvir por fora: é necessário entender por dentro. Se a luz de dentro é muita, aprende-se muito; se pouca, pouco; se nenhuma, nada. O mesmo nos acontece a nos. Dizemos, mas não ensinamos, porque dizemos por fora; só o Espírito Santo ensina, porque alumia por dentro...”
Adaptando-se ao caso, a inteligência, o raciocínio e a vontade são os elementos que nos ensinam, todos agentes abstratos e aparecem com diferentes graus em cada um de nós, daí a desigualdade da aprendizagem, além de deixar bem claro, a inexistência de materiais didáticos. O professor é fundamentalmente um orientador e estimulador do aluno. Os livros são normalmente fontes de informação, portanto, o aprendizado depende única e exclusivamente, do aprendiz. Do exposto, fica claro que o verbo ensinar é hipotético, presunçoso e maléfico. Hipotético, porque ninguém ensina a alguém; presunçoso, porque dá ao professor a sensação de ser importante; maléfico, porque deixa o aluno a espera de ser “ensinado”.
Aprender é abraçar, recolher, receber, encher. Assim, o limite da aprendizagem depende da capacidade intelectual de cada um, e não da magnitude da aula. É como se todos fôssemos à praia, levando cada um, um recipiente qualquer; embora o mar grandioso, imenso, rico, todavia uma coisa é certa: cada um só pode trazer a quantidade de água que corresponde à capacidade de seu recipiente. Cabe então ao professor, persuadir o aluno a levar um recipiente maior, para recolher maior quantidade de água; isto é, aumentar a sua capacidade intelectual, para aprender mais.
Dizem que não se faz um burro beber água, mas é viável porque basta dar a ele uma boa pedra de sal. Então senhores professores, quando forem dar aulas, não levem copos com água para seus alunos, mas, sim boas pedras de sal... A eficácia dessa persuasão depende do “engenho e arte” do professor. Bem aventurado é o professor que, de tão eficiente tomou-se supérfluo para seus alunos. Este se realizou... Este redimiu...
No passado, principalmente as aulas do curso primário consistiam na transcrição, na lousa, de pontos da matéria, pelo professor, e copiados pelos alunos, para posteriormente decorá-los. Esta prática era recomendável, não só pela falta de livros, mas também pelos poucos conhecimentos de que se dispunha a humanidade. Estudar seria assim, adquirir conhecimentos. Hoje, as condições mudaram bastante, pois a lista de conhecimentos é infinitamente grande e não somos capazes de absorver, sequer, um milésimo porcento, e que pouco representa. Considerando ainda, hoje temos uma abundância de livros, onde os mais variados autores abordam com riqueza, todos os assuntos, sem considerar a grande facilidade de consultas que nos oferece a Internet. Então, estudar, não mais corresponde, adquirir conhecimentos.
O organismo animal utiliza-se dos alimentos como fonte de substâncias para a formação da estrutura de seu corpo, através de uma série de reações químicas controladas pelas enzimas, constituindo o metabolismo biológico. Assim, estudar é metabolizar conhecimentos, realizados pela inteligência e raciocínio, e consiste mais em pensar do que propriamente ler, podendo ser realizado em qualquer lugar, deixando-se levar até por uma certa dose de intuição.
“Toda vez que me preocupo em resolver um problema, não consigo. Deixo de preocupar, então me vem a solução”. Einstein tinha razão! Pois na imensa maioria dos casos, estuda e pesquisa, não para a humanidade, mas para satisfazer o ego, este traidor que nos faz complicar as respostas para nos dar a impressão de se tratar de um problema difícil, que somente nós pesquisadores, temos condições, trazendo-nos assim, uma sensação de geniais, acariciando então o nosso ego.
Os grandes beneméritos da humanidade eram simples e modestos, porque eram de grande riqueza interna.
Estamos mesmo, ensinando a estudar?

Conhecer e saber

Na vida diária, é comum empregar como sinônimos conhecer e saber. Em conversa descompromissada, este equívoco não causa maiores danos, mas, em assunto sério, não podemos usá-los como sinônimos. A diferença é muito grande e os resultados são danosos. Conhecer (Lat. Cognoscere) é correlacionar os seres. Assim, o botânico compara a morfologia de uma planta com a de outra, e desta correlação elabora uma classificação tornando a planta assim conhecida. O mesmo se dá instintivamente, conosco em relação aos objetos tornando-os conhecidos.
Muitas vezes, o conhecimento não está relacionado com os sentidos, por exemplo. Em 1869, Mendelejeff não somente previu a existência, como também antecipou as propriedades físicas e químicas, de um elemento até então não descoberto apenas estabelecendo uma correlação com as propriedades dos elementos vizinhos, na tabela de classificação. Suas previsões foram comprovadas quando se descobriu o elemento Germânio. Deste modo, o conhecimento tem origem nas classificações, como: botânica, zoológica, dos elementos químicos, e muitas outras, até mesmo as arbitrárias... As classificações sem caráter científico nos levam a conhecimentos pré-científicos, é o que ocorre quando as pessoas não encontram pensamentos e palavras próprias para expressar o fato, ou o objeto, que se refere, pois, tem-se apenas uma sensação, mas não uma clareza, por isso não se pode afirmar.
Assim, por não conhecer bem o significado de ofensa, dizem que o homem ofende a Deus. Pois bem, considerando que a ofensa é uma agressão ao ego e que Deus não é egoísta, jamais poderá ser ofendido. Este exemplo nos mostra a grande importância que tem o conhecimento, e tanto professores quanto livros, podem transmiti-los.
Para saber o que é ofensa é necessário ser ofendido, porque saber é saborear, é viver. Nas escolas os professores propõem exercícios como oportunidades para ser vividos pelos alunos, por isso não podem ser copiados de colegas ou mesmo de livros.
O saber, esta vivência, é que qualifica o profissional. Saber resolver problemas, interpretar conhecimentos.
O grande mestre que nos conduz ao saber é o tempo, é a vida.

O ontem, o hoje, um ensaio para o futuro

Descia um homem de Jerusalém a Jericó...
Sim. Naquela época o mundo era pequeno e as modestas cidades, estavam interligadas por simples trilhas despovoadas, propícias as emboscadas e assaltos. Hoje o mundo cresceu. As cidades são populosas e as trilhas transformaram-se em estradas asfaltadas e com grandes congestionamentos. Em toda a sua superfície, encontramos pessoas, desde os pólos ao equador, das montanhas às planícies, mostrando a existência de uma grande explosão populacional.
As pequenas mulas de transportes foram trocadas por carros e aviões de último tipo. O homem inventou a luz elétrica, descobriu os segredos do átomo, já foi a Lua e voltou. Falar com o outro lado do mundo é tão simples quanto falar com o outro lado da rua. As ondas eletromagnéticas cortam os nossos céus, levando aos quatro cantos a nossa imagem, atestando que houve uma verdadeira explosão técnico-científica. Contudo, em face dos graves problemas que nos afligem, podemos afirmar que, apenas na área do pensamento humano, não houve evolução, estamos ainda ao lado daquele homem solitário que descia de Jerusalém a Jericó. E também, como após o Dilúvio, ainda hoje vivemos uma verdadeira Babel. Embora falando a mesma língua, as interpretações são vagas, ininteligíveis e confusas.
Os pensamentos do passado não satisfazem o presente; urge mudá-los. Entendemos hoje que, evitar a miséria e os crimes é mais importante do que praticar o bom samaritanismo, uma vez que a caridade e a justiça são apenas compensações.
As normas atualmente adotadas pela humanidade não resolvem os seus problemas, posto que têm a mesma origem: o ego - um cego não guia outro cego. O que necessitamos são de novas idéias, que sejam realmente redentoras e, portanto, devem nascer da consciência...
A grande dificuldade está na elaboração dessas idéias, uma vez que ninguém dá o que não tem, e assim, é necessário um grande esforço para a construção deste novo caminho, que consiste em abandonar, primeiramente a velha trilha de Jerusalém a Jericó e buscar novos horizontes; porém, o grande obstáculo está em tirar o céu das pessoas, esse desejo egoístico, mórbido, patológico e doentio de uma recompensa externa.
Enquanto o homem não compreender que as recompensas não lhe satisfazem, continuará em vão, buscando soluções, pois elas são como brinquedos que as crianças nos pedem incessantemente, mas quando ganham logo, logo, desprezam e querem outros... Ou então, como certas roupas que algumas pessoas procuram comprar com tanto sacrifício, e quando conseguem, logo, logo abandonam e já buscam outras num gesto oneroso e desgastante.
Pior ainda, acontece com os investidores que jogam seu dinheiro em aplicações, na busca de lucros e, quanto mais ganham mais querem ganhar... estando sempre, insatisfeitos e preocupados.
Ao lado desse desejo, surgem sempre, os crimes, o uso de drogas, os estupros e toda a sorte de violências e que são prevenidos apenas pela Educação.
Educar é despertar a consciência adormecida pelo ego através da meditação sobre pensamentos educacionais, mister de educadores e não de técnicos ou profissionais, pois sua ação é na essência interna do homem. A consciência é o elemento que nos orienta, mostrando-nos o que é correto praticar: isto é ser ético.
A recomendação "Não julgueis, para não serdes julgados", demonstra medo, falta de coragem, portanto não é educativa, pois não julgar com receio de ser julgado, é covardia, mas "não julgar, simplesmente, porque não é da nossa competência", isto é educação.
Isto é apenas um ensaio para o futuro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 1997

Dois mil anos de um cristianismo sem Cristo...

Desde os primórdios da sua criação, que o homem leva uma vida cheia de atribulações e sofrimentos. Atualmente, estamos vivendo um período de desatino, tal é o número de problemas que nos assolam, como os crimes, os furtos, os seqüestros, problemas de segurança, de trânsito, ecológicos, sexuais e tantos outros que a imaginação e a experiência de cada um pode acrescentar. E o que fazer para controlar esses males? Os processos punitivos são ineficazes, visto que o punir é apenas vingar e não corrigir, além desperta um ódio mortal, vem mais agravar do que solucionar.
Nem mesmo o castigar, que vem de castus e corresponde a casto, puro, correto e, portanto, castigar é purificar, corrigir e exercido pelos pais com lágrimas, que é diferente de punir que consiste em vingar e aplicado com ódio no coração, traz a eficácia desejada.
Considerando que os políticos procuram resolver os problemas sociais; os religiosos, eliminar os pecados; a polícia combater os crimes e até mesmo os elementos da área da saúde, acabar com as doenças. Ora, se esses profissionais surgiram para combater esses males, lastimavelmente, deles são também dependentes, assim, como os traficantes, aqueles que os combatem, também vivem das drogas. Surge então a dúvida: irão tais profissionais acabar com os males que são suas origens? Não. Isso seria um suicídio, um auto-extermínio.
Embora os professores vivam da ignorância, estão, contudo, fora desse raciocínio, visto que, os males acima citados foram criados pelo homem, enquanto que a ignorância, que é um estado, nos é natural.
A natureza nos fez ignorantes, mas somos nós, que nos tornamos criminosos.
Acreditar na punição ou mesmo no castigo, para recuperar um delinqüente, induz as pessoas a esperar que o indivíduo seja preso, para levar-lhe conforto; que se drogue, para levar-lhe a recuperação; que peque, para levar-lhe o perdão; que adoeça, para levar-lhe o remédio; que se torne faminto para levar-lhe o pão...
Esta prática muito generalizada em nossos dias constitui o verdadeiro alimento para o nosso egoísmo que é a causa primária de todos os males e sofrimentos da humanidade. Pode agradar aos profanos, mas, certamente não satisfaz os iniciados, porque não redime, uma vez que estamos vivendo dois mil anos de um Cristianismo sem Cristo.
O Cristianismo com Cristo é bem diferente. Como a verdadeira redenção é suave, leve, agradável e, portanto não sacrificial, assim evita, com a conscientização, que o indivíduo se torne criminoso, por isso não necessita de ser confortado; que se drogue, por isso não necessita de ser recuperado; que peque, por isso não necessita de ser perdoado; que adoeça, por isso não necessita de ser medicado; que tenha fome, por isso não carece do pão alheio...
O Cristo que falta ao Cristianismo de hoje, é o Cristo Educador, aquele que conscientiza, posto que educar é acordar a consciência adormecida pelo ego, mister de Cristo, e sua ação é na alma, a essência divina do homem!
No momento em que esse homem se descobrir, entendendo a sua função de colaborador da Natureza; abraçar amorosamente suas obrigações; transformar-se em um autêntico Cosmopolita, poderá então viver livre, conviver harmoniosamente com todos e com tudo, não havendo problemas quer no trânsito ou ecológico, bem como, de violência, de drogas, sociais e tantos outros.
Conscientizemos todos nós, de que esta será a grande transformação pela qual se há de passar a humanidade: de um Cristianismo sem Cristo de hoje, para o Cristianismo com Cristo do Terceiro Milênio, que já está prestes a raiar e também com ele, o alvorecer da nossa Redenção.
Então, bem vindo esse novo Cristianismo, com o Cristo Educador, que existe em nós e que nos redime.
E que assim seja, e para sempre...

segunda-feira, 13 de janeiro de 1997

De ontem para hoje

Dizem os mais velhos que os tempos antigos eram melhores, justificando com várias histórias, algumas tristes outras pitorescas, entretanto, afirmam os novos que tais declarações são frutos do desejo de viver, pois assim pensando supõem voltar ao passado e desse modo, teriam novas oportunidades de continuar vivendo; esta é a origem da saudade e são chamados de saudosistas.
Contavam nossos avós, que em sua época, era comum colocar no umbigo dos recém-nascidos, para secar mais rapidamente, não só terra de formigueiro, mas também picumã que são partículas de carvão que se depositam das fumaças de fogões a lenha e muitas crianças morriam antes mesmo de completar uma semana de vida, pois eram acometidas pelo “mal dos 7 dias”.
Sabemos hoje, que tais mortes eram causadas pelo tétano, proveniente dessa prática imprópria de tratamento.
Ainda contavam que as viagens eram difíceis e tidas como um empreendimento arrojado, sendo freqüentemente antecedidas por uma idéia de separação, somada a uma incerteza sobre o difícil regresso. As despedidas eram longas, cheias de acenos, lenços brancos, adeuses e até mesmo, repletas de lágrimas.
Hoje, devido às melhorias dos meios de transportes, com a fabricação de veículos modernos e de novas técnicas de construção de estradas, são tão comuns que nem sentimos quando alguém parte, pois a certeza da sua volta traz tranqüilidade. De ontem para hoje, muitas coisas mudaram. Muitas outras não!
Revendo certos autores do passado, encontramos relatos atestando que algumas coisas não mudaram, mesmo com a ação do tempo.
Thomas Hobbes - 1646, em seu livro De Cive, comentando as conveniências e incômodos nos diversos sistemas de governo relata: ...Um dos incômodos da autoridade suprema é que o governante pode exigir, além do dinheiro necessário para as despesas públicas... Se ele quiser outro dinheiro mais, em termos de luxo e prazer, com o qual poderá enriquecer filhos, parentes, favoritos e até mesmo aduladores... São mais suportáveis na monarquia do que na democracia, pois, quando o monarca quer enriquecer alguns, os gratificados são poucos, porque o são por um só.
Já numa democracia tantos são os demagogos, ... quantos são os que têm filhos, parentes, amigos e aduladores para gratificar. Todos eles querem não só fazer suas famílias quanto possível opulentas e ilustres, mas também prender com favores as pessoas para melhor se prevenir.
Comparando com a época atual, parece que Thomas Hobbes é comentarista político dos nossos telejornais. Tudo se repete com cristalina clareza e fidelidade.
Na atual democracia, favores e acordos não faltam, artes e habilidades estranhas de governar, são freqüentes, como a figura esdrúxula do Líder do Executivo na Câmara, onde melhor seria Líder do povo que o elegeu e não se tornar o caminho por onde chega a ingerência do Executivo, e ainda, deputados e vereadores que são nomeados Ministros ou Secretários de Estado, num verdadeiro desrespeito aos seus eleitores que os escolheram para legislar, demonstrando um descaso aos políticos ou técnicos, que não mereceram tal consideração, posto que a maior preocupação do Executivo, é criar um ambiente favorável aos seus interesses, pois o suplente que assume já o faz comprometido.
O Padre Vieira, em carta ao Rei D. João IV, de 4 de abril de 1654, diz: SENHOR - No fim da carta de que V.M. me fez mercê me manda V.M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.
“Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.
Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão achar dois homens de bem que um... Assim que, Senhor, consciência e mais consciência é o principal e o único talento que se há de buscar nos que vierem governar este Estado.”
Cuidemos nós, que nesta democracia, devemos escolher para nos governar, não apenas um homem de bem para ser o Presidente, como outros que são os Governadores, Prefeitos, Senadores, Deputados e Vereadores. Será que o País possui tantos homens com talento para este mister? Se no tempo de Vieira já era difícil encontrar dois homens de bem, que dirá agora que são tantos?
Quanto à consciência já reclamada, progredimos muito pouco, pois a consciência da maioria dos atuais homens públicos, é de que não têm consciência.
De ontem para hoje, muitas coisas mudaram, pois estamos às portas do ano 2000; somente na política continuamos como antes, ao lado de Thomas Hobbes, enquanto que a grande aspiração da sociedade é ser governada por homens que se realizem no servir e não no ser servido...
Portanto, para o nosso bem estar, bem-vindos sejam tais governantes...

segunda-feira, 30 de dezembro de 1996

Qual é o maior anseio do homem?

É comum ouvir as pessoas indagarem sobre o destino do homem. Desta pergunta nos vem muitas respostas, mas poucos são os que conseguem apresentar uma que seja razoável, pois, algumas são simples e outras complexas, enfim, não é fácil trazer aquela que seja clara, precisa e que nos satisfaça.
Infelizmente, as atividades comuns e repetidas do dia a dia, furta-nos a condição de observar pequenos detalhes que nos cercam, e que são importantes para elaborar um raciocínio, capaz de nos orientar na busca de uma resposta a tão interessante pergunta. Dos muitos detalhes, existe um que nos parece a propósito.
O vento ou mesmo a chuva transporta minúsculas sementes de grama e de outras plantas, que são depositadas nos estreitos espaços ou fendas entre as pedras nas calçadas das ruas, ou nas rachaduras dos pátios cimentados, lugares considerados impróprios; contudo germinam e às vezes, com tal vigor, que são capazes de crescer e produzir outras sementes que, provavelmente, seguirão o mesmo curso.
Essas belezas, entretanto, estão escondidas pela fadiga diária que nos domina e somente percebemos a presença de tais plantas, quando nos aborrecem. Afinal, que agente maravilhoso é esse que faz as sementes germinarem em locais aparentemente estéreis? Nascer em terras férteis, nos parece normal, mas por que em lugares tão difíceis? Sim, porque possuem a força da Vida; o desejo de vencer; a necessidade de se transformar em planta verdadeira, que já existe deforma implícita nas sementes. Assim, não apenas os vegetais, mas também os animais, têm esse mesmo desejo. Nos homens, essa inclinação é tão forte, que se transforma em necessidade, pois se trata da Auto-realização; ou seja, sua Felicidade e corresponde ao crescimento interno de cada um, em busca do Infinito.
Esse crescimento consiste em superar, não somente as forças físicas contrárias, mas também, dominar os ímpetos do ego. Desse modo, o êxito financeiro não traduz em Auto-realização, pois, tal desejo se satisfaz com elementos externos, sem considerar que muitos se enriquecem desonestamente. Então, devemos entender que os problemas, os obstáculos, os empecilhos e até o próprio ego, são importantes à nossa vida; pois, é controlando o ego, vencendo os empecilhos, transpondo os obstáculos, e resolvendo os problemas que nós nos realizamos. Portanto, ao orar, não devemos pedir, mas, primeiramente adorar e depois agradecer, não os dias fáceis e agradáveis recebidos, mas, principalmente os dias difíceis, os problemas, os obstáculos, pois, esses são os verdadeiros motivos da nossa Auto-realização, que corresponde ao maior anseio do homem.