domingo, 18 de junho de 2000

Utopia

Por diversas vezes, o homem, tem se mostrado paradoxal com atitudes incompreensíveis. Por um lado, procura realizar seus desejos, por outro, sente receio. Se for pesquisador, não pode ser conservador.
A humanidade, que é evolutiva, está, entretanto, presa ao temor. A razão do medo é a incerteza do futuro, e o homem, que é a sua unidade formadora, prefere conservar suas idéias, mesmo com resultados insatisfatórios, a arriscar uma nova teoria. Justifica seus receios, mostrando-se exigente e até mesmo com uma aparente sensatez, dizendo que as idéias avançadas são utópicas. Busca resultados imediatos, de curto prazo, mas nem repara que os métodos usados são antigos e ineficazes.
Quando Napoleão Bonaparte conquistou o Egito, maravilhado diante das obras arquitetônicas daquele antigo império, declarou: Do alto dessas pirâmides, 40 séculos vos contemplam.
Há mais de 4.000 anos, essas pirâmides foram erguidas para a contemplação da humanidade. Naquela época, a sociedade já possuía governo, os faraós e já havia corrupção; já havia polícia e já havia crime; já havia escola e já havia escravidão; já havia religião e já havia pecado; já havia família e já havia desamor... E tudo isso, é o que ainda temos.
Hoje, estamos vencendo 2.000 anos de cristianismo e ingressando no terceiro milênio.
A ciência e a tecnologia tiveram um avanço espetacular: já fomos à lua e dela regressamos, inventamos a luz elétrica, descobrimos os segredos do átomo e recentemente, desvendamos o código genético; a população humana explodiu a casa dos seis bilhões de habitantes, porém, lamentavelmente, na área do comportamento humano, estamos como antes: construindo pirâmides, na mais clara das utopias.
Para vencer este costume, e buscar urgentemente, respostas para nossas angústias, nossos males, nossas preocupações, nossos receios, é então necessário, ampliar nosso horizonte e buscar a verdadeira solução que começa abandonando o cotidiano e o convencional, e ainda esse sentimento de medo e receio que é o alimento dos covardes, aceitando as idéias inovadoras, próprias dos arautos, que são dirigidas principalmente, aos corajosos e destemidos.
Só assim, não seremos utópicos.

sábado, 13 de maio de 2000

Violência

A grande imprensa tem, freqüentemente noticiado a realização de muitos estudos e campanhas para combater a violência, entretanto, com mais freqüência ainda, noticia a sua vertiginosa propagação. Há uma incoerência, algo está errado.
Atualmente, a humanidade está vivendo um momento de grande confusão. As pessoas demonstram, com suas atitudes, que estão perdidas, sem rumo, sem leme, sem norte... Precisamos, portanto, buscar um caminho e que no entender de alguns, haverá de passar pelas trilhas do conhecimento. Esta é a chave. Para explicar, portanto, aquela incoerência, basta entender, que jamais alguém pode executar bem uma tarefa, sem o conhecimento pleno do assunto.
Ora, tornou-se comum as discussões sobre a violência, porém, sempre com uma abordagem superficial, mostrando apenas seus efeitos, portanto, sem a eficácia desejada. Necessitamos, pois, de aprofundar e proceder a um estudo completo, conceituando, classificando, identificando a origem e sugerindo a sua solução. Assim, a violência deve ser considerada como uma agressão ao patrimônio, material, corporal, intelectual ou moral, seja ele, próprio ou alheio e são de natureza, explícita e velada.
As violências explícitas são aquelas cujos efeitos são visíveis, tais como: espancamentos, assaltos, furtos, roubos, assassinatos, e outras e são na maioria, uma conseqüência das violências veladas e até facilmente, reprimidas pela polícia.
O uso de drogas é uma violência, porque agride, não somente o patrimônio próprio que é a saúde do usuário, mas também, porque agride o patrimônio ecológico, uma vez que o homem tem a obrigação de colaborar com a natureza, e esta colaboração não se faz estando ele drogado. Entende-se assim, que o uso de drogas é uma dupla violência, e uma pessoa de razoável alcance, compreende com facilidade, a gravidade desse ato. O usuário de drogas é um infeliz que não teve condições para se preparar, portanto, é um indivíduo oco, vazio e inseguro, e necessitando de uma auto-afirmação, procura nas drogas, a comprovação de que é uma pessoa ímpar, moderna, autêntica e capaz, mas é exatamente o contrário: vulgar, antiquado, falso e incapaz. Ele é o mais violento, já que se auto violenta, pode também violentar os outros e não devemos debitar nas drogas, o ônus de outros crimes, como se ouve freqüentemente, mesmo porque, o uso de drogas é uma conseqüência e não uma causa, e o usuário: vitima, e não réu.
Já, nas violências veladas, os resultados não são imediatos, mas, futuros e, portanto invisíveis. Seus exemplos são abundantes tais como: insinuações, propagandas enganosas, promessas vãs, crendices, modismos, falsas orientações, omissões, principalmente as dos nossos governantes e outras, cujo habitat é a ignorância. São na maioria, as mais danosas, não apenas, por ser difícil de combate-las ou reprimi-las, mas por ser um estimulo para as praticas de violências explicitas, como foram as rebeliões na FEBEM, invasões de terras, e muitas outras, pois em toda ação, existe uma reação contrária.
Ainda podemos considerar, como violência velada, certas leis criadas por um Congresso, cujos deputados e senadores estão subornados por propinas, cargos ou acordos sugeridos pelo Executivo, ou porque, muitos foram eleitos às custas de donativos oferecidos por banqueiros, empreiteiros, empresários e grupos financeiros, tornando-os comprometidos e reféns, e assim, tais leis são criadas para atender os interesses daqueles, e que certamente, não são os interesses do povo. A imprensa tem noticiado com bastante ênfase e clareza, a existência de tais grupos, bem como, os valores e os nomes dos candidatos que receberam esses donativos, que mais parecem investimentos.
Embora legais, as especulações financeiras, na maioria das vezes, são consideradas como violência, pois, as ambições dos especuladores são ilimitadas, não medindo conseqüências. Isto é o que fazem os mega investidores, insaciáveis, que não se satisfazem, nem com seus grandes lucros e tudo isso é feito às custas das lágrimas, das ilusões e do suor alheio. Suas fortunas são incalculáveis e inimagináveis. Jamais usarão da sua infinitésima parte. Será que esses excêntricos colecionadores de dólares, não percebem suas estultices? Será que não percebem os problemas que estão causando aos outros? Essa ambição excessiva e descontrolada, nascida do ego, é a causa primária de toda a violência, a qual será combatida, não pela força, mas, apenas pela Educação.
A grande dificuldade está na interpretação da palavra educação, que é freqüentemente confundida com instrução. Este equívoco, responsável pelos fracassos das tentativas de acabar com a violência, deve ser eliminado, pois educar é despertar a consciência adormecida pelo ego através da meditação sobre pensamentos educacionais, mister de educadores e não de profissionais ou técnicos, posto que, sua ação é na essência interna do homem. A consciência é o elemento que nos orienta, mostrando-nos o que é correto praticar. Isto é ser ético.
Este deverá ser o nosso procedimento... Neste dia da Redenção...

sexta-feira, 10 de setembro de 1999

Avaliação escolar

Avaliação é o ato de atribuir valores. A avaliação escolar é o método usado para medir o aprendizado e dar continuidade ao processo. Mas, o que devemos medir? O aproveitamento dos alunos? A eficiência dos professores? A eficácia dos métodos escolares?
Muitas instituições procuram avaliar os professores através das provas aplicadas aos alunos. Ora, se medir é comparar uma grandeza com a unidade correspondente, jamais poderemos avaliar a qualidade do professor através do aproveitamento escolar do aluno, sem considerar ainda, que o aluno possa ser um autodidata ou um preguiçoso, e então, nem mesmo os recursos estatísticos ajustariam os casos.
Uma prova deve ser elaborada com critérios, porque questões mal formuladas, fatalmente levam a falsos resultados. Suas questões devem ser direcionadas, no sentido de perguntar “por que é...” e não “o que é...”, este é o segredo.
Considerando a evolução atual do estudo, é preferível avaliar a potencialidade do aluno, e não propriamente, o conteúdo programático, pois este é facilmente encontrado nos livros. Esse sistema não aceita decorar, estudar de véspera ou colar, e não está na dependência da memória, mas sim, do raciocínio, da inteligência e da habilidade do aluno, que são, muitas vezes, superiores ao conteúdo pois, o valor do profissional corresponde à capacidade de resolver problemas e não em reter de memória os conhecimentos. Este modo de avaliar não exige uma data previamente marcada, vez que não se prepara de véspera, raciocínio, inteligência ou habilidade, podendo, portanto ser realizada a qualquer momento e mais, o aluno não tem como colar.

Vocação e motivação, determinar o perfil do profissional, mercado de trabalho

A complexidade da vida humana é o resultado da desigualdade entre as pessoas. Essa desigualdade tão criticada por muitos é, entretanto, a característica mais importante do homem, sendo o agente responsável pela sua vida na sociedade, onde cada um concorre com o seu talento para satisfazer o todo. Este pensamento baseado na desigualdade humana leva-nos a crer que todos têm, contudo, o mesmo valor, posto que, somos complementares, e assim, é dever colaborar, não somente com o homem, mas com toda a Natureza, de forma efetiva, sem egoísmo. Ao compreender e aceitar esta ordem, transformamos o dever em querer, de modo a ser prazeroso servir.
Nas escolas, como nas universidades, devemos aceitar essa desigualdade e oferecer aos alunos condições para que cada um desenvolva na plenitude, o seu talento. Lamentavelmente, muitos dos dirigentes universitários, em atitudes mal pensadas, afirmam a necessidade de se “determinar o perfil do profissional que se quer formar”, na presunção de que esse planejamento seja fruto da inteligência, não hesitam em implantá-lo.
Além de violar o alvedrio de cada um, esta idéia traiçoeira engana os próprios propositores e adeptos. Pois, considerando que a duração, dos cursos universitários, é de quatro a seis anos aproximadamente, ocorre que devido às profundas e rápidas mudanças na sociedade, o perfil do futuro profissional, pode vir a ser diferente, na ocasião das necessidades sociais. Ao determinar o perfil do profissional, estamos subtraindo-lhe outras oportunidades, deixando-o então, refém, cativo, submisso e escravo da ambição alheia.
A preocupação de estudar o “mercado de trabalho”, no intuito de oferecer um programa direcionado, é tão prejudicial e impróprio como o primeiro e nada disso se faz necessário, pois basta oferecer aos jovens alunos, orientação plena e condições para que cada um desenvolva o próprio talento, atendendo, deste modo, os apelos de sua vocação. Essa atitude, além de solucionar os problemas, não escraviza, mas sim, liberta e redime.
A vocação, este chamamento interno, esta inclinação, se realiza com o desenvolvimento do talento, tornando-o então, o elemento preponderante do bom desempenho escolar, proporcionando a auto-realização da pessoa, enquanto que a motivação, que é a criação de motivos, não tem a mesma eficácia, uma vez que é formada por agentes externos e assim, quando alguém reclama motivação, é indício certo da falta de vocação.

Objetivo

Nas escolas é comum usar amiúde a palavra “Objetivo”, mas a generalização desse termo leva a interpretações equivocadas, causando conseqüentemente, grandes prejuízos, como exemplos: os objetivos da disciplina, que vamos estudar são:...; Os objetivos devem ser definidos usando verbos no infinitivo, tais como: conceituar, distinguir, definir, classificar e outros. Na verdade, o emprego desta palavra deve ser cuidadoso, posto que, quando definido, irá conseqüentemente, determinar a conduta do indivíduo. Assim, pergunta-se a um aluno do curso de Veterinária.
- Qual é o seu objetivo?
Se não todos, a maioria responde:
- Formar em Veterinária.
A experiência do dia-a-dia mostra que, se o aluno decorar as lições, estudar de véspera, ou mesmo, colar na provas, formará até mesmo antes, e então não hesitará em recorrer a essas práticas, posto que seu objetivo, já declarado, é mesmo, formar em Veterinária. Mas, formar em Veterinária será realmente o objetivo deste aluno? O verdadeiro objetivo deve ser claro em si, não comportando sequer dúvida ou indagações, visto não ter, nem por que, e nem para que. Assim, para verificar se o objetivo proposto é realmente verdadeiro, basta perguntar:
- Para que formar em Veterinária?
Uma das respostas mais prováveis seria:
- Para tratar dos animais domésticos.
Ora, então tratar dos animais domésticos, vindo após a formatura seria o objetivo. Mas, continuando...
- E tratar de animais domésticos, para que?
- Para produzir alimentos de origem animal: carne, leite, ovos e derivados.
- E para que produzir alimentos?
- Para alimentar o homem.
- E para que?
Após uma série de para quês, chegamos a uma resposta clara, que não aceita mais indagações:
-Para ser feliz.
Assim, este é o único e verdadeiro objetivo. As respostas anteriores são meras etapas ou caminhos. Então, aceito que ser feliz é o verdadeiro objetivo, retornando ao exemplo, perguntamos ao estudante de Veterinária:
- Decorar lições, estudar de véspera ou mesmo colar em provas, o leva à felicidade?
E ele, entendendo, logo dirá:
- Esse caminho não me conduz à felicidade.
E assim conclui que não se pode ter tal comportamento, e os professores não mais precisarão fiscalizar os alunos durante as provas. A simples interpretação correta da palavra objetivo, é então suficiente para mudar a conduta do aluno em seus estudos, na realização de provas, orienta-lo nas futuras práticas profissionais e no convívio social, fazendo-o abraçar alegremente as obrigações ditadas pela sua consciência, que constitui o verdadeiro caminho para a felicidade...

Ensinar a estudar

Na área escolar é freqüente o uso da expressão: ensinar a estudar. Supõe-se que isto seja o verdadeiro mister do professor, mas não é bem assim, uma vez que o aproveitamento escolar não é igual entre os alunos de uma mesma classe, embora o professor seja o mesmo.
O Padre Antônio Vieira, o maior orador sacro da Língua Portuguesa, no século XVII, no Sermão do Espírito Santo, pregado na cidade de São Luiz do Maranhão, assim escreveu: “O mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos. Diz para todos, porque todos ouvem; mas não ensina a todos porque uns aprendem, outros não. E qual a razão dessa diversidade, se o mestre é o mesmo e a doutrina a mesma? Porque, para aprender, não basta só ouvir por fora: é necessário entender por dentro. Se a luz de dentro é muita, aprende-se muito; se pouca, pouco; se nenhuma, nada. O mesmo nos acontece a nos. Dizemos, mas não ensinamos, porque dizemos por fora; só o Espírito Santo ensina, porque alumia por dentro...”
Adaptando-se ao caso, a inteligência, o raciocínio e a vontade são os elementos que nos ensinam, todos agentes abstratos e aparecem com diferentes graus em cada um de nós, daí a desigualdade da aprendizagem, além de deixar bem claro, a inexistência de materiais didáticos. O professor é fundamentalmente um orientador e estimulador do aluno. Os livros são normalmente fontes de informação, portanto, o aprendizado depende única e exclusivamente, do aprendiz. Do exposto, fica claro que o verbo ensinar é hipotético, presunçoso e maléfico. Hipotético, porque ninguém ensina a alguém; presunçoso, porque dá ao professor a sensação de ser importante; maléfico, porque deixa o aluno a espera de ser “ensinado”.
Aprender é abraçar, recolher, receber, encher. Assim, o limite da aprendizagem depende da capacidade intelectual de cada um, e não da magnitude da aula. É como se todos fôssemos à praia, levando cada um, um recipiente qualquer; embora o mar grandioso, imenso, rico, todavia uma coisa é certa: cada um só pode trazer a quantidade de água que corresponde à capacidade de seu recipiente. Cabe então ao professor, persuadir o aluno a levar um recipiente maior, para recolher maior quantidade de água; isto é, aumentar a sua capacidade intelectual, para aprender mais.
Dizem que não se faz um burro beber água, mas é viável porque basta dar a ele uma boa pedra de sal. Então senhores professores, quando forem dar aulas, não levem copos com água para seus alunos, mas, sim boas pedras de sal... A eficácia dessa persuasão depende do “engenho e arte” do professor. Bem aventurado é o professor que, de tão eficiente tomou-se supérfluo para seus alunos. Este se realizou... Este redimiu...
No passado, principalmente as aulas do curso primário consistiam na transcrição, na lousa, de pontos da matéria, pelo professor, e copiados pelos alunos, para posteriormente decorá-los. Esta prática era recomendável, não só pela falta de livros, mas também pelos poucos conhecimentos de que se dispunha a humanidade. Estudar seria assim, adquirir conhecimentos. Hoje, as condições mudaram bastante, pois a lista de conhecimentos é infinitamente grande e não somos capazes de absorver, sequer, um milésimo porcento, e que pouco representa. Considerando ainda, hoje temos uma abundância de livros, onde os mais variados autores abordam com riqueza, todos os assuntos, sem considerar a grande facilidade de consultas que nos oferece a Internet. Então, estudar, não mais corresponde, adquirir conhecimentos.
O organismo animal utiliza-se dos alimentos como fonte de substâncias para a formação da estrutura de seu corpo, através de uma série de reações químicas controladas pelas enzimas, constituindo o metabolismo biológico. Assim, estudar é metabolizar conhecimentos, realizados pela inteligência e raciocínio, e consiste mais em pensar do que propriamente ler, podendo ser realizado em qualquer lugar, deixando-se levar até por uma certa dose de intuição.
“Toda vez que me preocupo em resolver um problema, não consigo. Deixo de preocupar, então me vem a solução”. Einstein tinha razão! Pois na imensa maioria dos casos, estuda e pesquisa, não para a humanidade, mas para satisfazer o ego, este traidor que nos faz complicar as respostas para nos dar a impressão de se tratar de um problema difícil, que somente nós pesquisadores, temos condições, trazendo-nos assim, uma sensação de geniais, acariciando então o nosso ego.
Os grandes beneméritos da humanidade eram simples e modestos, porque eram de grande riqueza interna.
Estamos mesmo, ensinando a estudar?

Conhecer e saber

Na vida diária, é comum empregar como sinônimos conhecer e saber. Em conversa descompromissada, este equívoco não causa maiores danos, mas, em assunto sério, não podemos usá-los como sinônimos. A diferença é muito grande e os resultados são danosos. Conhecer (Lat. Cognoscere) é correlacionar os seres. Assim, o botânico compara a morfologia de uma planta com a de outra, e desta correlação elabora uma classificação tornando a planta assim conhecida. O mesmo se dá instintivamente, conosco em relação aos objetos tornando-os conhecidos.
Muitas vezes, o conhecimento não está relacionado com os sentidos, por exemplo. Em 1869, Mendelejeff não somente previu a existência, como também antecipou as propriedades físicas e químicas, de um elemento até então não descoberto apenas estabelecendo uma correlação com as propriedades dos elementos vizinhos, na tabela de classificação. Suas previsões foram comprovadas quando se descobriu o elemento Germânio. Deste modo, o conhecimento tem origem nas classificações, como: botânica, zoológica, dos elementos químicos, e muitas outras, até mesmo as arbitrárias... As classificações sem caráter científico nos levam a conhecimentos pré-científicos, é o que ocorre quando as pessoas não encontram pensamentos e palavras próprias para expressar o fato, ou o objeto, que se refere, pois, tem-se apenas uma sensação, mas não uma clareza, por isso não se pode afirmar.
Assim, por não conhecer bem o significado de ofensa, dizem que o homem ofende a Deus. Pois bem, considerando que a ofensa é uma agressão ao ego e que Deus não é egoísta, jamais poderá ser ofendido. Este exemplo nos mostra a grande importância que tem o conhecimento, e tanto professores quanto livros, podem transmiti-los.
Para saber o que é ofensa é necessário ser ofendido, porque saber é saborear, é viver. Nas escolas os professores propõem exercícios como oportunidades para ser vividos pelos alunos, por isso não podem ser copiados de colegas ou mesmo de livros.
O saber, esta vivência, é que qualifica o profissional. Saber resolver problemas, interpretar conhecimentos.
O grande mestre que nos conduz ao saber é o tempo, é a vida.

O ontem, o hoje, um ensaio para o futuro

Descia um homem de Jerusalém a Jericó...
Sim. Naquela época o mundo era pequeno e as modestas cidades, estavam interligadas por simples trilhas despovoadas, propícias as emboscadas e assaltos. Hoje o mundo cresceu. As cidades são populosas e as trilhas transformaram-se em estradas asfaltadas e com grandes congestionamentos. Em toda a sua superfície, encontramos pessoas, desde os pólos ao equador, das montanhas às planícies, mostrando a existência de uma grande explosão populacional.
As pequenas mulas de transportes foram trocadas por carros e aviões de último tipo. O homem inventou a luz elétrica, descobriu os segredos do átomo, já foi a Lua e voltou. Falar com o outro lado do mundo é tão simples quanto falar com o outro lado da rua. As ondas eletromagnéticas cortam os nossos céus, levando aos quatro cantos a nossa imagem, atestando que houve uma verdadeira explosão técnico-científica. Contudo, em face dos graves problemas que nos afligem, podemos afirmar que, apenas na área do pensamento humano, não houve evolução, estamos ainda ao lado daquele homem solitário que descia de Jerusalém a Jericó. E também, como após o Dilúvio, ainda hoje vivemos uma verdadeira Babel. Embora falando a mesma língua, as interpretações são vagas, ininteligíveis e confusas.
Os pensamentos do passado não satisfazem o presente; urge mudá-los. Entendemos hoje que, evitar a miséria e os crimes é mais importante do que praticar o bom samaritanismo, uma vez que a caridade e a justiça são apenas compensações.
As normas atualmente adotadas pela humanidade não resolvem os seus problemas, posto que têm a mesma origem: o ego - um cego não guia outro cego. O que necessitamos são de novas idéias, que sejam realmente redentoras e, portanto, devem nascer da consciência...
A grande dificuldade está na elaboração dessas idéias, uma vez que ninguém dá o que não tem, e assim, é necessário um grande esforço para a construção deste novo caminho, que consiste em abandonar, primeiramente a velha trilha de Jerusalém a Jericó e buscar novos horizontes; porém, o grande obstáculo está em tirar o céu das pessoas, esse desejo egoístico, mórbido, patológico e doentio de uma recompensa externa.
Enquanto o homem não compreender que as recompensas não lhe satisfazem, continuará em vão, buscando soluções, pois elas são como brinquedos que as crianças nos pedem incessantemente, mas quando ganham logo, logo, desprezam e querem outros... Ou então, como certas roupas que algumas pessoas procuram comprar com tanto sacrifício, e quando conseguem, logo, logo abandonam e já buscam outras num gesto oneroso e desgastante.
Pior ainda, acontece com os investidores que jogam seu dinheiro em aplicações, na busca de lucros e, quanto mais ganham mais querem ganhar... estando sempre, insatisfeitos e preocupados.
Ao lado desse desejo, surgem sempre, os crimes, o uso de drogas, os estupros e toda a sorte de violências e que são prevenidos apenas pela Educação.
Educar é despertar a consciência adormecida pelo ego através da meditação sobre pensamentos educacionais, mister de educadores e não de técnicos ou profissionais, pois sua ação é na essência interna do homem. A consciência é o elemento que nos orienta, mostrando-nos o que é correto praticar: isto é ser ético.
A recomendação "Não julgueis, para não serdes julgados", demonstra medo, falta de coragem, portanto não é educativa, pois não julgar com receio de ser julgado, é covardia, mas "não julgar, simplesmente, porque não é da nossa competência", isto é educação.
Isto é apenas um ensaio para o futuro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 1997

Dois mil anos de um cristianismo sem Cristo...

Desde os primórdios da sua criação, que o homem leva uma vida cheia de atribulações e sofrimentos. Atualmente, estamos vivendo um período de desatino, tal é o número de problemas que nos assolam, como os crimes, os furtos, os seqüestros, problemas de segurança, de trânsito, ecológicos, sexuais e tantos outros que a imaginação e a experiência de cada um pode acrescentar. E o que fazer para controlar esses males? Os processos punitivos são ineficazes, visto que o punir é apenas vingar e não corrigir, além desperta um ódio mortal, vem mais agravar do que solucionar.
Nem mesmo o castigar, que vem de castus e corresponde a casto, puro, correto e, portanto, castigar é purificar, corrigir e exercido pelos pais com lágrimas, que é diferente de punir que consiste em vingar e aplicado com ódio no coração, traz a eficácia desejada.
Considerando que os políticos procuram resolver os problemas sociais; os religiosos, eliminar os pecados; a polícia combater os crimes e até mesmo os elementos da área da saúde, acabar com as doenças. Ora, se esses profissionais surgiram para combater esses males, lastimavelmente, deles são também dependentes, assim, como os traficantes, aqueles que os combatem, também vivem das drogas. Surge então a dúvida: irão tais profissionais acabar com os males que são suas origens? Não. Isso seria um suicídio, um auto-extermínio.
Embora os professores vivam da ignorância, estão, contudo, fora desse raciocínio, visto que, os males acima citados foram criados pelo homem, enquanto que a ignorância, que é um estado, nos é natural.
A natureza nos fez ignorantes, mas somos nós, que nos tornamos criminosos.
Acreditar na punição ou mesmo no castigo, para recuperar um delinqüente, induz as pessoas a esperar que o indivíduo seja preso, para levar-lhe conforto; que se drogue, para levar-lhe a recuperação; que peque, para levar-lhe o perdão; que adoeça, para levar-lhe o remédio; que se torne faminto para levar-lhe o pão...
Esta prática muito generalizada em nossos dias constitui o verdadeiro alimento para o nosso egoísmo que é a causa primária de todos os males e sofrimentos da humanidade. Pode agradar aos profanos, mas, certamente não satisfaz os iniciados, porque não redime, uma vez que estamos vivendo dois mil anos de um Cristianismo sem Cristo.
O Cristianismo com Cristo é bem diferente. Como a verdadeira redenção é suave, leve, agradável e, portanto não sacrificial, assim evita, com a conscientização, que o indivíduo se torne criminoso, por isso não necessita de ser confortado; que se drogue, por isso não necessita de ser recuperado; que peque, por isso não necessita de ser perdoado; que adoeça, por isso não necessita de ser medicado; que tenha fome, por isso não carece do pão alheio...
O Cristo que falta ao Cristianismo de hoje, é o Cristo Educador, aquele que conscientiza, posto que educar é acordar a consciência adormecida pelo ego, mister de Cristo, e sua ação é na alma, a essência divina do homem!
No momento em que esse homem se descobrir, entendendo a sua função de colaborador da Natureza; abraçar amorosamente suas obrigações; transformar-se em um autêntico Cosmopolita, poderá então viver livre, conviver harmoniosamente com todos e com tudo, não havendo problemas quer no trânsito ou ecológico, bem como, de violência, de drogas, sociais e tantos outros.
Conscientizemos todos nós, de que esta será a grande transformação pela qual se há de passar a humanidade: de um Cristianismo sem Cristo de hoje, para o Cristianismo com Cristo do Terceiro Milênio, que já está prestes a raiar e também com ele, o alvorecer da nossa Redenção.
Então, bem vindo esse novo Cristianismo, com o Cristo Educador, que existe em nós e que nos redime.
E que assim seja, e para sempre...

segunda-feira, 13 de janeiro de 1997

De ontem para hoje

Dizem os mais velhos que os tempos antigos eram melhores, justificando com várias histórias, algumas tristes outras pitorescas, entretanto, afirmam os novos que tais declarações são frutos do desejo de viver, pois assim pensando supõem voltar ao passado e desse modo, teriam novas oportunidades de continuar vivendo; esta é a origem da saudade e são chamados de saudosistas.
Contavam nossos avós, que em sua época, era comum colocar no umbigo dos recém-nascidos, para secar mais rapidamente, não só terra de formigueiro, mas também picumã que são partículas de carvão que se depositam das fumaças de fogões a lenha e muitas crianças morriam antes mesmo de completar uma semana de vida, pois eram acometidas pelo “mal dos 7 dias”.
Sabemos hoje, que tais mortes eram causadas pelo tétano, proveniente dessa prática imprópria de tratamento.
Ainda contavam que as viagens eram difíceis e tidas como um empreendimento arrojado, sendo freqüentemente antecedidas por uma idéia de separação, somada a uma incerteza sobre o difícil regresso. As despedidas eram longas, cheias de acenos, lenços brancos, adeuses e até mesmo, repletas de lágrimas.
Hoje, devido às melhorias dos meios de transportes, com a fabricação de veículos modernos e de novas técnicas de construção de estradas, são tão comuns que nem sentimos quando alguém parte, pois a certeza da sua volta traz tranqüilidade. De ontem para hoje, muitas coisas mudaram. Muitas outras não!
Revendo certos autores do passado, encontramos relatos atestando que algumas coisas não mudaram, mesmo com a ação do tempo.
Thomas Hobbes - 1646, em seu livro De Cive, comentando as conveniências e incômodos nos diversos sistemas de governo relata: ...Um dos incômodos da autoridade suprema é que o governante pode exigir, além do dinheiro necessário para as despesas públicas... Se ele quiser outro dinheiro mais, em termos de luxo e prazer, com o qual poderá enriquecer filhos, parentes, favoritos e até mesmo aduladores... São mais suportáveis na monarquia do que na democracia, pois, quando o monarca quer enriquecer alguns, os gratificados são poucos, porque o são por um só.
Já numa democracia tantos são os demagogos, ... quantos são os que têm filhos, parentes, amigos e aduladores para gratificar. Todos eles querem não só fazer suas famílias quanto possível opulentas e ilustres, mas também prender com favores as pessoas para melhor se prevenir.
Comparando com a época atual, parece que Thomas Hobbes é comentarista político dos nossos telejornais. Tudo se repete com cristalina clareza e fidelidade.
Na atual democracia, favores e acordos não faltam, artes e habilidades estranhas de governar, são freqüentes, como a figura esdrúxula do Líder do Executivo na Câmara, onde melhor seria Líder do povo que o elegeu e não se tornar o caminho por onde chega a ingerência do Executivo, e ainda, deputados e vereadores que são nomeados Ministros ou Secretários de Estado, num verdadeiro desrespeito aos seus eleitores que os escolheram para legislar, demonstrando um descaso aos políticos ou técnicos, que não mereceram tal consideração, posto que a maior preocupação do Executivo, é criar um ambiente favorável aos seus interesses, pois o suplente que assume já o faz comprometido.
O Padre Vieira, em carta ao Rei D. João IV, de 4 de abril de 1654, diz: SENHOR - No fim da carta de que V.M. me fez mercê me manda V.M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.
“Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.
Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão achar dois homens de bem que um... Assim que, Senhor, consciência e mais consciência é o principal e o único talento que se há de buscar nos que vierem governar este Estado.”
Cuidemos nós, que nesta democracia, devemos escolher para nos governar, não apenas um homem de bem para ser o Presidente, como outros que são os Governadores, Prefeitos, Senadores, Deputados e Vereadores. Será que o País possui tantos homens com talento para este mister? Se no tempo de Vieira já era difícil encontrar dois homens de bem, que dirá agora que são tantos?
Quanto à consciência já reclamada, progredimos muito pouco, pois a consciência da maioria dos atuais homens públicos, é de que não têm consciência.
De ontem para hoje, muitas coisas mudaram, pois estamos às portas do ano 2000; somente na política continuamos como antes, ao lado de Thomas Hobbes, enquanto que a grande aspiração da sociedade é ser governada por homens que se realizem no servir e não no ser servido...
Portanto, para o nosso bem estar, bem-vindos sejam tais governantes...

segunda-feira, 30 de dezembro de 1996

Qual é o maior anseio do homem?

É comum ouvir as pessoas indagarem sobre o destino do homem. Desta pergunta nos vem muitas respostas, mas poucos são os que conseguem apresentar uma que seja razoável, pois, algumas são simples e outras complexas, enfim, não é fácil trazer aquela que seja clara, precisa e que nos satisfaça.
Infelizmente, as atividades comuns e repetidas do dia a dia, furta-nos a condição de observar pequenos detalhes que nos cercam, e que são importantes para elaborar um raciocínio, capaz de nos orientar na busca de uma resposta a tão interessante pergunta. Dos muitos detalhes, existe um que nos parece a propósito.
O vento ou mesmo a chuva transporta minúsculas sementes de grama e de outras plantas, que são depositadas nos estreitos espaços ou fendas entre as pedras nas calçadas das ruas, ou nas rachaduras dos pátios cimentados, lugares considerados impróprios; contudo germinam e às vezes, com tal vigor, que são capazes de crescer e produzir outras sementes que, provavelmente, seguirão o mesmo curso.
Essas belezas, entretanto, estão escondidas pela fadiga diária que nos domina e somente percebemos a presença de tais plantas, quando nos aborrecem. Afinal, que agente maravilhoso é esse que faz as sementes germinarem em locais aparentemente estéreis? Nascer em terras férteis, nos parece normal, mas por que em lugares tão difíceis? Sim, porque possuem a força da Vida; o desejo de vencer; a necessidade de se transformar em planta verdadeira, que já existe deforma implícita nas sementes. Assim, não apenas os vegetais, mas também os animais, têm esse mesmo desejo. Nos homens, essa inclinação é tão forte, que se transforma em necessidade, pois se trata da Auto-realização; ou seja, sua Felicidade e corresponde ao crescimento interno de cada um, em busca do Infinito.
Esse crescimento consiste em superar, não somente as forças físicas contrárias, mas também, dominar os ímpetos do ego. Desse modo, o êxito financeiro não traduz em Auto-realização, pois, tal desejo se satisfaz com elementos externos, sem considerar que muitos se enriquecem desonestamente. Então, devemos entender que os problemas, os obstáculos, os empecilhos e até o próprio ego, são importantes à nossa vida; pois, é controlando o ego, vencendo os empecilhos, transpondo os obstáculos, e resolvendo os problemas que nós nos realizamos. Portanto, ao orar, não devemos pedir, mas, primeiramente adorar e depois agradecer, não os dias fáceis e agradáveis recebidos, mas, principalmente os dias difíceis, os problemas, os obstáculos, pois, esses são os verdadeiros motivos da nossa Auto-realização, que corresponde ao maior anseio do homem.

sábado, 7 de dezembro de 1996

Amor não se pede e não se paga

Todos entendemos que o caminho do amor é uma das grandes esperanças de redenção da humanidade. Entretanto, poucos compreendem o que é o amor. Infelizmente, a maioria tem apenas uma sensação, mas não uma consciência sobre o amor e assim, vive reivindicando amor. O que constantemente se ouve entre os casais, são pedidos recíprocos de amor; até as abnegadas mães, freqüentemente reclamam o amor de seus filhos e estes, desconhecendo o que seja o amor, respondem: Mas a senhora também não gosta de nós; como sendo a forma encontrada de pedir amor, e ainda, confundindo deste modo, o gostar com o amar.
E enfim, todos reivindicam amor...
Entretanto, compreendemos que o amar não pode ser exigido, nem ordenado, mas que deve ser exercido livre, natural e espontaneamente, pois não tem outra finalidade, senão amar. Assim, reivindicar amor é antes, ignorância, e não sede ou sabedoria.
Existe um adágio popular que declara: “Amor com amor se paga”. Oh! Quantos equívocos e inverdades existem na maioria dos ditos populares, e neste, muito mais...
Ora, posto que, a Natureza é a manifestação visível do Pensamento Criador, conclui-se que o homem, como componente deste Pensamento e não apenas, um simples elemento à parte, busca ele, no amar, a realização de suas inclinações, e portanto, o amar é antes uma necessidade e não uma determinação ou ordem, como muitos querem; donde se conclui que, amar é mais gratificante do que ser amado, visto ainda, que amar é o exercício livre e natural do coração; a voz ativa do verbo; enquanto que o ser amado é a sua simples e triste voz passiva, não havendo então, o que pagar, contradizendo desta maneira, a pretensiosa máxima.
O amor é o objeto do amar, por ser este abstrato, deve ser conceituado abstratamente. Amar é, então: o diluir almas; o entrelaçar vidas; o integrar-se com o Todo... Assim sendo a auto-estima, cuja prática está tão difundida e recomendada, não é amar, pois, visando à própria pessoa, é então um sutil egoísmo, portanto, não deve ser estimulada. E assim, procurar soerguer alguém, vencido pelas drogas, abatido pelas doenças ou mesmo desiludido pelos insucessos, através do exercício da auto-estima, não é correto, devendo antes, conscientizá-lo para se integrar com o Todo, posto que, o mesmo tem suas obrigações para cumprir.
Agora que estamos comprometidos com as idéias acima expostas, chegamos a uma dificuldade: como interpretar, então, os ensinamentos contidos no Primeiro Mandamento da Lei, qual seja: amar a Deus sobre todas as coisas? Encontramo-nos pois, diante de um terrível impasse, onde Deus nos ordena amá-Lo, enquanto que nós, homens, pecadores, mortais... entendemos que, amor não se pede e não se paga...

sábado, 15 de junho de 1996

As campanhas contra as drogas

As freqüentes notícias sobre as apreensões de drogas e o aumento do número de instituições para a recuperação de drogados, atestam a pouca eficácia das campanhas contra o uso indevido de drogas; isto por que, os fundamentos destas campanhas carecem de princípios educacionais, uma vez que, declaram como motivos: a desestrutura familiar, a ação dos traficantes, a influência das más companhias, a disponibilidade das drogas e outros agentes, todos de origem externa.
Não basta ensinar aos jovens “dizer não às drogas”. É necessário explicar o porquê e que se não justifica pelos prejuízos que causam à saúde e à moral, mas, pelas obrigações que se deixam de cumprir.
Justificar o uso pela disponibilidade da droga, é o mesmo que justificar o estupro, pela disponibilidade da mulher; ou dizer que, assim como Adão e Eva, eles também foram enganados pelos traficantes, e nem reparam, que se não engoda um cão com uma jóia, e se Eva comeu aquele fruto é porque já tinha um certo “apetite”, e o trabalho dos traficantes, resume apenas em lhes entregar a “droga”.
Os motivos relacionados como condições favoráveis para o seu uso, que na realidade servem mais como desculpas, propõem a esterilização do meio, enquanto que a verdadeira solução, consiste em vacinar o indivíduo: a educação é melhor do que a repreensão.
- E você leitor, também usa drogas?
- Claro que não.
- Mas, nunca houve discussões entre seus pais?
- Praticamente em todas as famílias, surgem discussões, discórdias, mas sem maiores conseqüências.
- Por ventura já esteve em más companhias?
- Sim e por diversas vezes.
- Já ouviu falar em drogas?
- Muito, e até conheço a maconha...
- Com todas estas condições e você não usa droga. Por acaso é um abençoado?
- Não.
- Então as pessoas que usam, são amaldiçoadas?
- Penso que não.
- Ora, como explicar?
- Não sei, não sei... É muito difícil... Gostaria de saber. Por que?
- Bem. O processo começou tempos atrás, quando ainda adolescente, e num raro momento, inconscientemente, abriu o coração e os ouvidos a um bom conselho e meditando sobre ele, tomou o caminho correto, e assim, hoje não usa drogas; os outros, que não passaram por este processo, infelizmente foram iludidos.
- Mas, que estranho processo é este, capaz de mudar tanto a vida das pessoas?
- Verdade. Afirmo que nem mesmo a profunda e complicada alquimia, que propunha transformar metais comuns em ouro; nem a maravilhosa metamorfose, que transforma a desajeitada e feia lagarta na ágil e colorida borboleta, tem maior eficácia. Este poderoso processo capaz de tornar delinqüentes em justos chama-se: educação.
Considere, meu caro leitor, que assim como você, todos nós fomos inconscientemente educados, posto que na ocasião, nossos pais não tinham uma concepção clara sobre educação, contudo os resultados são visíveis. Imagine agora, se tivéssemos sido conscientemente educados? Quais seriam os resultados? Certamente bem melhores.
Educar é despertar a consciência adormecida pelo ego, mister de educadores e não de profissionais ou técnicos, pois seu campo é a alma, a essência divina do homem.
No momento em que esse homem se descobrir, entendendo a sua função de colaborador da Natureza; abraçar amorosamente suas obrigações; transformar-se em um autêntico Cosmopolita, poderá então viver livre das drogas, conviver harmoniosamente com todos e com tudo, não havendo problemas, quer no trânsito ou ecológicos bem como, de violência, sociais e de tantos outros; portanto, devemos tornar mais freqüentes aqueles “raros momentos”, além de proporcionar uma conscientização efetiva através de meditação sobre princípios e pensamentos educacionais.
Só assim. E somente assim, é que haverá a verdadeira redenção.

domingo, 2 de junho de 1996

O sacrifício não sacrum facere

Certa manhã, estando eu no portão de minha casa, vi no muro em frente, um pequeno pardal com um comportamento estranho, pois agitava as asas, e com um chilrar diferente virava a cabeça ora para cima, ora para baixo. Inesperadamente, surgiu ali, sua companheira, que após um breve alegre ritual, voaram para uma árvore próxima e não mais e não mais os vi.
Esta atitude me deixou pensativo... O que significava tudo aquilo? Por que tanta alegria? Por que? E assim as idéias foram se formando em minha mente, quando percebi que...
Muitas pessoas acreditam que o verdadeiro caminho da redenção, consiste em passar pelas trilhas estreitas, da renúncia, para livrar dos prazeres; da abdicação, para afastar dos bens materiais; do sofrimento, para expiar as faltas; do sacrifício, para santificar; da imolação, para como a Fênix, ressurgir das cinzas... .
Embora, aceito por todos, contudo, é neste ponto, que cometem o maior erro, pois, esta crença, iludida pela sutileza do ego, que consiste principalmente em aniquilar os pequenos egos visíveis em benefício dos grandes invisíveis, propondo a busca de prêmios e outras recompensas, escravizam a nossa vontade.
Os atos humanos podem ser opcionais ou obrigatórios com a impressão de que os primeiros são prazerosos, enquanto os últimos são sacrificiais, eis aí outro engano.
Nos atos opcionais, a vontade não é livre, mas subornada pela grandiosidade da recompensa, exige de nós, a renúncia, a abdicação, a imolação e até o próprio sacrifício; enquanto que as obrigações, não estando vinculadas a prêmios, devendo ser cumpridas unicamente por ser obrigações e sendo executadas pela vontade livre e não cativa, são prazerosas. A dificuldade, entretanto, está em declarar as nossas obrigações. Resumidamente, essas consistem na cooperação dos seres com a natureza, para que esta possa se perpetuar através dos tempos.
Assim, antes mesmo daquele primeiro passarinho pousar no muro, um outro, mais velho, com sua companheira, pacientemente, construíram um ninho, onde nasceram dois ou mais filhotes.
Com empenho e carinho, levavam alimentos, na hora certa em quantidade exata, durante, aproximadamente, cinco semanas, sem faltar um só dia.
Preocupados com predadores, chuva, frio... Protegiam corajosamente ninho... Até que, percebendo a plumagem pronta para o primeiro vôo, levando inseto maior, como estímulo e se pondo em um galho um pouco distante, encorajavam os filhotes para o vôo inicial, que após uma breve hesitação, se precipitaram no espaço e voando pela primeira vez, não mais foram vistos.
Qual foi a recompensa que tiveram por tantos trabalhos, cuidados, canseiras, aflições, receios...?
Nenhuma...! Nada receberam por tudo aquilo, porque tratava de obrigações...!
Também o homem, que possui inteligência, tem outras obrigações além dessas, que serão determinadas pela consciência de cada um.
O cumprimento das obrigações estabelece uma harmonia entre o ser e a natureza, traduzindo em felicidade e por muitos denominados de Céu, enquanto, a negligência, determinando uma desarmonia, gera um remorso atroz, interpretado como infelicidade e considerado um verdadeiro inferno.
A redenção do homem consiste, pois, no cumprimento jubiloso de suas obrigações, que executadas com a vontade livre, são prazerosas e não sacrificiais como se pensava, portanto o sacrifício não sacrum facere...
E quanto aos passarinhos do muro?
Ora! Com certeza já construíram o ninho e se preparam para a postura, cumprindo o maravilhoso ciclo iniciado por seus pais, dando continuidade à divinal natureza... Este deverá ser também, o procedimento de cada um de nós.

domingo, 12 de maio de 1996

A falência do sistema carcerário

As constantes rebeliões de presidiários, atribuídas à superpopulação carcerária, bem como, as dificuldades financeiras para se construir novos presídios, têm levado muitas pessoas a declarar a falência do nosso sistema carcerário. Entretanto, esta falência é devido a pouca compreensão das autoridades, para interpretar a verdadeira obrigação do Estado, que ora se preocupa apenas, em punir, com prisões ou multas cujo sentido único é vingar; sem reparar que este expediente é doloroso, uma vez, que atuando após o delito, deixa a vítima com as conseqüências, e o réu exposto à punição; incerto, pois, dificilmente recupera o delinqüente, e, despreparadas nossas penitenciarias são verdadeiros antros de promiscuidade... onde, “se entra mau, sai pior”; como dizem: dispendioso, já que cada condenado custa três salários mínimos ao Estado, enquanto este mesmo Estado condena muitas famílias a viver com apenas um salário mínimo.
Devemos, então, abandonar a idéia de punição e não usar as expressões: “mofar na cadeia”, “prisão perpétua”, “pena de morte” como se ouve freqüentemente nos comentários de telejornais onde, alguns comentaristas, usando de expressões e palavras grosseiras, despertando um ódio incontido, prestam um verdadeiro desserviço aos processos educacionais e de recuperação dos delinqüentes, e assim, “É preciso passar os telejornais a limpo”.
Para reduzir a população carcerária, cogita-se então, de transformar muitas detenções em trabalhos sociais ou multas. Mas como? Se vivemos a maior crise de empregos? E quem permitiria, que um sentenciado, trabalhasse a seu lado, sem antes ter passado por um processo de recuperação?
Com relação às multas, equivale dizer: “o Estado vai vender perdões e explorar delitos”, sem considerar que a multa é injusta, porque penaliza mais o pobre do que o rico, além de não ter a eficácia desejada, pois, quantos motoristas, foram varias vezes multadas por uma mesma infração? As pessoas que acreditam na eficácia das multas para corrigir ou nortear o homem são interesseiras, invejosas ou ignoram a existência dos métodos educacionais.
Desde os primórdios da nossa existência, a humanidade sempre preocupou em punir, e o que se conseguiu foi aumentar os crimes e generalizar a corrupção. Hoje, esta lista é tão grande, que dificilmente se encontra uma autoridade que não esteja contaminada, para que possa, então, “atirar a primeira pedra”.
A verdadeira falência do nosso sistema carcerário corresponde fundamentalmente, à falta de um principio educacional abrangente, envolvendo toda a sociedade e principalmente, àqueles que têm o mister de nos governar.
A redenção do homem não vem da ciência, mas sim, da consciência. Eduque-se...

quinta-feira, 11 de abril de 1996

Ano 2000

Estamos próximo do ano 2000, que para muitos, no passado, foi considerado como sendo a data estabelecida para o fim do mundo.
Para outros, o terceiro milênio deverá ser o marco da Evolução do Pensamento Humano...
Entretanto, o que presenciamos é exatamente o oposto; estamos vivendo uma nova Babel. Muita confusão, desentendimentos, divergências...
As palavras estão pouco a pouco, perdendo os seus significados (perdendo o sentido). Cidadania é uma delas, que hoje, já está desgastada e corrompida. Assim, muitos entendem que Cidadania se resume em dar “pão e cesta básica” e nem mesmo reparam que esta atitude, com aparência virtuosa, não é senão, pecaminosa, pois, opõe-se ao preceito de “Comer o pão com o suor do rosto” e que, o bom seria, proporcionar condições de vida: emprego, educação, liberdade, Cidadania...
Mas, o melhor é não tirar estas condições pois, quando a Natureza nos criou, nos deu todas elas.
Mas, isto não lhes dá a sensação de grandeza, não os torna beneméritos e nem anestesia suas consciências.
Outros, numa clara agressão à Cidadania, nos obriga, sob pena de multa, usar o Cinto de Segurança, desconhecendo (ou conhecendo) que esta prática depende unicamente do alvedrio de cada um, no exercício autêntico da sua Cidadania.
Tais autoridades, ainda não entenderam que o uso do cinto de segurança não previne os acidentes? Mas que pode apenas reduzir sua gravidade?
Esta atitude, deixa transparecer que os acidentes para eles, são questões secundárias e que preveni-los, não é objeto de seus cuidados. Enganam. A obrigação do Estado é prevenir os acidentes; construindo e conservando em condições de trafegabilidade, estradas e ruas; mantendo visíveis as sinalizações; reduzindo nossas aflições; orientando amorosamente seus usuários... Mas tudo isto custa dinheiro, gasta-se tempo e exige capacidade, melhor será então, nos multar...
E é só o que sabem fazer...
“Tempo houve em que todas as penalidades eram em dinheiro. Os delitos dos súditos eram para o Príncipe algo como um patrimônio...” Beccaria, 1765.
E assim, o povo, entende que esta atitude não é zelo, mas sim esperteza, e que “em nome do nosso bem, querem mesmo, os nossos bens...” Vieira, 1639.
Mais grave ainda é a interpretação que se dá à palavra Educação. Todos temos, um sentimento de que a Educação é o fator decisivo no bom comportamento do homem, o que é verdadeiro; mas a maioria comete um grave erro exigindo: Educação sexual, Educação no trânsito, Educação ecológica, Educação contra drogas, Educação...
A Educação faz parte das plataformas políticas, mas o que prometem reivindicam e oferecem é uma simples e modesta Instrução, muito diferente de Educação.
Para alcançar esta grande diferença, basta observar os Crimes de Colarinho Branco, onde seus autores são altamente instruídos, mas não educados...
Educar é eduzir, isto é, extrair o que de bom há no homem pelo próprio homem, através de meditações e reflexões sobre princípios e pensamentos autênticos, trazidos por intermédio dos educadores.
Os motivos buscados pelos diversos segmentos da nossa sociedade são antieducacionais; assim o Estado busca a justiça e exerce a punição; as Escolas oferecem instrução, mas, sem consciência de sua finalidade; as Religiões apelam por fatores externos, prometendo prêmios e castigos e as Famílias se isolam no mais alto egoísmo, donde lamentavelmente se conclui que, nem o Estado, nem mesmo as Escolas, muito menos as Religiões, e tão pouco as Famílias educam; pois educar é mister de cada um, motivado por pensamentos educacionais elaborados por educadores.
Para corrigir estes equívocos, espero que, o ano 2000 seja o verdadeiro marco da Evolução do Pensamento Humano, o arauto de uma Nova Era e o prenúncio da nossa Redenção.
Bem-vindo o Ano 2000.